Visão de um Policial

* Por Ademir Brasil Filho - Investigador




Nos últimos dias, vinha se falando muito na situação que envolveu a morte de um cidadão, após ser agredido por seguranças do Carrefour.

O coro da esquerda é que o sujeito teria sido morto por conta do racismo. A minha opinião de policial, bem como é a posição oficial da Delegada de Polícia que preside o Inquérito Policial que apura os fatos, é que o cara não foi morto por ser negro, foi morto por ter ido até o Carrefour para ameaçar a ex-companheira e, sobre isso, não se vê a mídia falar em defesa dessa mulher, ou por ter agredido um dos seguranças com um soco no rosto.


O que houve foi um claro exagero que demonstra o despreparo dos seguranças, que não souberam como administrar a situação. E se ressalte que os seguranças foram presos e autuados em flagrante, encontrando-se à disposição da justiça enquanto prosseguem as investigações.

O mainstream quer colocar na cabeça das pessoas que existe um racismo estrutural, onde brancos literalmente odeiam negros e querem vê-los mortos ou presos. Bom gente! Lógico que existem pessoas racistas, isso é inegável. Gente má, inescrupulosa e mesquinha existe em todas as classes sociais, raças, credos, orientações sexuais, ideologias políticas e níveis de educação. Infelizmente, isso é inegável e espero que, à medida em que a sociedade evolui, esse tipo de comportamento seja erradicado. Mas vamos voltar ao assunto. Em meus mais de vinte e nove anos como policial, destes 5 anos como Policial Militar, e outros vinte e quatro anos como Investigador da Polícia Civil do Paraná, pessoalmente, nunca atendi um único homicídio que tenha sido praticado em razão da raça das vítimas. Estatisticamente falando, os crimes contra a vida em sua absoluta maioria são relacionados ao mundo das drogas. Seja por dívida junto a algum traficante, por ter invadido o território de um rival, nestes casos, a motivação independe da raça da vítima, mas do tipo de vida que ela levava.


Segundo dados levantados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Paraná(PCPR), e publicado no site do Ministério Público do Paraná(MPPR)(1).


No estado do Paraná, por exemplo, 58% dos homicídios praticados entre 2011 e 2012, tiveram relação com o tráfico de drogas, 21% eram relacionados a motivos fúteis e embriaguez, o álcool nesse caso não deixa de ser uma droga, mesmo que permitida, sendo fator de geração de violência, 7% foram homicídios praticados no âmbito da violência doméstica, 2% por vingança e outros 2% crimes passionais, neste último, tanto homens quanto mulheres foram vítimas.


Neste estudo, não foi considerada a raça das vítimas, mas a motivação. Notem que o racismo não é citado no estudo. Em matéria publicada pelo Estado de São Paulo, jornal conhecido pelo seu viés de esquerda, em 11/01/2016 (2), a estatística levantada dá conta que 47,8% das vítimas eram brancas, 39,5% pardas, 7,8% delas eram negras e 4,9% de outras raças/cor. As motivações estranhamente mostram o conflito relacionado ao uso de entorpecentes apenas 0,8%, sendo as mortes sem classificação prévia em torno de 30,8%. Desses números, 86,7% das vítimas eram do sexo masculino, sendo que 13,2% eram do sexo feminino.


Sinceramente não sei como apenas 0,8% dos homicídios praticados em São Paulo foram relacionados com o tráfico de entorpecentes. Provavelmente lá, o traficante é bonzinho e não manda matar quem não paga, diferente do Paraná. Alguns querem dizer que a Polícia, enquanto instituição, é racista, mas, desde que sou policial, nunca presenciei uma situação em que colegas tivessem atirado em alguém por conta da cor de sua pele, mas sim em relação à situação de confronto. Não se pode esperar que o policial, na iminência do risco de sua vida, pondere sobre a raça de quem tenta contra a sua vida, antes de reagir.


Como ouvi um policial antigo dizer: “_Se o criminoso atira em mim, e é negro, quer que faça o quê?”.

Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2020 (FBSP)3, dos 172 policiais mortos em 2019, de folga ou de serviço, cerca de 65,1% era negro ou pardo. O mesmo anuário, oito em cada dez suspeitos mortos pelas forças de segurança são negros, cerca de 79,1%. Enquanto as vítimas de crimes violentos são, em média, três em cada quatro, 74,4%. Ou seja, em muitos casos são negros assassinando negros.

Lógico! Existem maus policiais, assim como existem maus profissionais em qualquer categoria profissional. Claro que alguns extrapolam sua autoridade ou são racistas. Mas qual é o grupo social que está livre desse tipo de gente? A esquerda? Ora! Há não muito tempo vimos um vídeo onde uma senhora que é casada com outra mulher, destrata um cidadão negro. Nas páginas de esquerda vi vários comentários dizendo que ela só poderia ser “cidadã de bem que vota no Bolsonaro”.

Quando a mídia divulgou que ela era até filiada ao PT, ninguém mais falou do caso. Estranho isso, hein? Estranhamente, até 2012 o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública separava as vítimas entre brancos, negros e pardos, a partir de 2013 passou-se a condensar negros e pardos apenas na definição “negros”, o que, obviamente, vai inflar os números. Eu, por definição, sou pardo, já que meus avô materno e minha avó paterna eram negros.

Na cabeça dos esquerdistas, querem convencer que os negros são vítimas de uma política institucional de estado para o encarceramento de afrodescendentes. Mas isso pode acabar sendo um tiro no pé. No imaginário popular pode se criar a concepção de que negros são propensos a cometer crimes, tendo em vista que, na estatística manipulada por eles, há mais negros que brancos aprisionados, quando isso não é verdade. Se você visitar uma cadeia, vai perceber que o número de negros encarcerados não é desproporcional ao número de brancos.


Na delegacia onde trabalho, hoje temos cerca de 50 presos e não há um único negro encarcerado. Perceberam aonde esse discurso pode chegar? Ele pode acabar criando um preconceito que não existia. Notem! Anteriormente já disse que existem pessoas preconceituosas, a humanidade não está livre disso. Mas o racismo estrutural que tanto se fala, pode estar sendo criado justamente pela esquerda, ao tentar vitimizar os criminosos. Como policial, não encaro negros ou brancos como suspeitos, mas atitudes os tornam suspeitos.

Exemplo: Um dia de calor e o sujeito está usando um moletom largo, com capuz na cabeça, andando por uma rua deserta. Como policial vou suspeitar que ele está usando moletom grosso para esconder alguma arma ou objeto sub suas vestes e o capuz na cabeça para dificuldar seu reconhecimento caso seja filmado por câmeras de segurança. Entende? Não é a cor, é a atitude que torna um elemento em suspeito para a polícia. Fica evidente que, dependendo da fonte, você verá ou não, que a violência está diretamente relacionada ao tráfico de drogas, desavenças pessoais, e não a um comportamento estrutural do povo brasileiro, que, no geral, é um dos povos mais amistosos e tolerantes que existem no planeta. 1 https://crianca.mppr.mp.br/pagina-1321.html 2 https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,briga-de-familia-leva-a-1-em-cada-10-homicidios-no-estado,10000006714 3 https://forumseguranca.org.br/anuario-brasileiro-seguranca-publica/

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