Vacinação; ato de fidelidade política ou ignorância?

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro civil e diretor da CIA FM.


Considero absolutamente normal as discussões acerca da validade e eficiência das vacinas contra o covid 19. Não há precedentes de desenvolvimento em tempo exíguo como realizado, em diversas alternativas de diferentes grupos de cientistas.

O intenso debate sobre o tema, centro absoluto das atenções em 2020, alternou temas científicos e políticos, mobilizando opiniões de ambos os segmentos por todo o mundo. Neste aspecto, a história registra fatos correlatos; injeção, penicilina, anestesia, transplantes e uma série de inovações médicas foram recebidos com desconfiança, natural pela falta de informações e, muitas vezes, por razões de cunho religioso, ainda hoje presentes, por exemplo, em casos de transfusão sanguínea. A novidade é o debate político provocado por este tema.

A medicina, por toda a sua história, sofreu com a constante quebra de paradigmas que impôs às sociedades. A evolução do misticismo e da magia, forma primária de combate às doenças, normalmente a cargo de sacerdotes e pajés, para uma medicina racional, passando pela teoria dos quatro humores de Pitágoras, até chegar a Hipócrates, pai da medicina moderna, sempre exigiu que se combatesse a reação das pessoas apegadas aos conceitos anteriores. Vencer a ignorância sempre foi uma etapa necessária para a medicina. Romper padrões éticos sempre foi um desafio, transfusões, transplantes, mutilações são exemplos desta exigência.

Inocular as pessoas com vírus para produzir anticorpos pode parecer natural, mas, nos primeiros tempos, era inaceitável para o conhecimento do cidadão comum.

A diferença é que, nas vacinas contra o covid, a grande reação atende pelas variáveis políticas. Teorias da conspiração, fantasiosas como todas, se associam a leituras políticas pueris que quase nos fazem acreditar que agentes políticos, de direita ou esquerda, são presenças constantes nos mais avançados laboratórios do mundo se somam aos boatos e fake news que atestam que tais pesquisas forma fruto da contribuição financeira de lideranças políticas mostrando uma total desinformação da ordem de grandeza dos valores envolvidos.

Claro que aceito com naturalidade que alguns rejeitem a vacinação. Custa-me crer que tal postura se deva a subserviência ideológica a qualquer liderança política. Isto não é fidelidade. É ignorância. Todavia, se o fazem, por desconfiar de prazos, por temer reações desconhecidas, também decorrentes do fator tempo, ou simplesmente por não se permitirem o papel de cobaias de tais experimentos, ainda que aprovados pelas instituições da área, só me resta admitir que seja uma posição lúcida. Discordo mas respeito inclusive por não haver nenhuma prova em contrário.

Por fim, vacinação obrigatória se refere apenas a obrigação do Estado em oferta-la a toda a população. Nosso regime democrático não concebe a ideia de tomar ninguém à força e submetê-lo a vacinação contra a vontade.

Decida por si próprio de deseja a vacina. Eu já me decidi. Só não o faça por conta do seu político de estimação. Isto não é inteligente.

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