Trabalho, pandemia e lazer.

Por João Paulo Dantas - Jornalista, especializado em audiovisual e cinema.


Já foi cancelado pelos amigos por ter ido a um restaurante ou bar?

Este texto servirá mais como uma reflexão sobre os tempos atuais, do que uma imposição de verdade. Se trata de fatos.


O Brasil ultrapassou nesta semana a marca de mais de 200 mil mortes pela pandemia de coronavírus, e é de suma importância que não vejamos apenas como números: são vidas e pessoas queridas por outras. Diante da total falta de responsabilidade e competência do Governo Federal para lidar com uma pandemia, e do atraso no que diz respeito à vacinação, as medidas restritivas tomadas por Estados e Municípios são mais do que necessárias para diminuir a alta taxa de contaminação desta segunda onda do vírus.


No começo da pandemia, era quase consenso de que deveríamos passar um lockdown para nos livrarmos do vírus, ou diminuir consideravelmente sua letalidade. O tempo foi passando e as medidas tomadas pareciam ter algum efeito. Quase tudo voltou ao normal: comércio, indústria, bares, igrejas etc. Nada errado nisso. A taxa de desemprego já aumentou consideravelmente e, se fossem tomadas medidas extremas, o Brasil estaria em um buraco mais fundo do que já está.


Nós, grande maioria da população, somos classe trabalhadora, e o trabalho faz parte integrante e constituinte da nossa vida. Em uma época de cultura do cancelamento, temos várias pessoas que simplesmente quebraram o isolamento social durante a noite, indo a bares e tomando sua famigerada cerveja; restaurantes; cinemas etc. Já postou algum story e foi duramente criticado por algum colega, amigo ou familiar por estar nestes eventos? Muito que bem. Aposto que muitos já foram. Me inspiro aqui em uma vídeo-aula do professor Guilherme Terreri - a Rita Von Hunty - para falar um pouco sobre o tema.


No alto do privilégio de muitos que podem estar atrás de um computador, em casa, para ter o seu ganha pão, muita gente se colocou em um pedestal para criticar os rolezeiros. Proponho, portanto, uma simples reflexão. Como nós, privilegiados pelo home office ou não, podemos ter a audácia de criticar e expor o outro que está em um chão de indústria o dia inteiro; está no comércio se expondo ao vírus; está limpando a sua sujeira na rua; está preparando e entregando a sua refeição por estar tomando a sua cerveja ou em uma lanchonete ou restaurante, tendo o seu direito sagrado ao lazer?


Não defendo o fim de medidas restritivas para combater o vírus. Inclusive, considero que Cianorte conseguiu fazer um bom trabalho em relação a essa questão, tanto na gestão anterior, quanto o começo desta.


Como o texto já ficou um pouco grande, vou deixar apenas o começo para essa reflexão. Reflita e logo eu volto com a parte 2 deste texto. Ao trabalho!

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