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Trabalho humano e animal

Aida Franco de Lima – Professora. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial (UEPG - PR); Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais (SENAC - EMBRATUR);Técnica em Vestuário (CEEP - PR); escritora (Série: Guardador de Palavras da Gabi).



Animais nos dão sua força de trabalho e ainda assim não recebem o valor devido (Foto: Diuvlgação)


Hoje é Dia do Trabalhador. Todos de algum modo somos. Uns melhores remunerados, outros nem tanto, outros escravizados. No Brasil ainda há trabalhadores resgatados pela Polícia em situação análoga a escravos, em pleno ano de 2021. O que é algo que deveria ser veementemente condenado por toda a sociedade. E há ainda uma legião de aproximadamente 14 milhões de trabalhadores que buscam um lugar ao sol e um carimbo em sua Carteira de Trabalho, ou mesmo um trocado para levar pra casa ao final do dia.


Há os trabalhadores da área da saúde que desde o início da pandemia arriscam suas vidas por nós, muito antes de se cogitar falar em vacina. Os médicos que fazem intervenções cirúrgicas no cérebro, enfermeiros que se desdobram no auxílio a inúmeros pacientes praticamente ao mesmo tempo ou o faxineiro que desinfecta todo o ambiente para garantir a segurança de todos que ali estão. Ou o padeiro que acorda cedo para garantir o pão à mesa e o motorista que leva os trabalhadores a seus postos. Todos os trabalhadores são essenciais, pois ali, antes de existir um CPF há uma vida, um sonho. Há um sonho que se junta ao material escolar do professor que ao longo de sua vida forma milhares de profissionais, que com o tempo não reconhece os nomes de seus alunos. Mas que, invariavelmente, é lembrado por muitos que mesmo passado décadas revivem momentos de sala de aula que serviram para a vida. Enfim, são infinidades de profissões, de trabalhadores que se reiventam a cada um de maio. Todos, sem exceção, devem ser respeitados.


Os trabalhadores mais humildes que rodam a cidade com suas carroças em busca de materiais recicláveis, sejam eles próprios puxando-as ou com ajuda de algum animal como burro ou cavalo. E hoje, no Dia do Trabalho, quero mais uma vez falar também por aqueles que não têm voz, os animais considerados irracionais.


Eles têm a sua força de trabalho explorada por nós humanos e ainda assim os rebaixamos ao máximo possível, sem mesmo que percebamos. Mesmos os filósofos e pensadores mais bem embasados, quando querem dizer que os humanos estão sendo estúpidos, que estão deixando de usar a inteligência, estes os ofendem com nomes de animais.


O burro é o termo mais comum. Eu tenho certeza que um dia você já chamou alguém de burro! Denominamos alguém de burro quando essa pessoa faz algo que consideramos estúpido. Mas os burros são inteligentes, apenas delegamos a eles uma papel de animal a ser explorado. Quando alguém não tem higiene suficiente dizemos que é 'porco', mas o porco se enlameia justamente para preservar sua pele da exposição ao sol e picadas de inseto. E diante de água limpa, não haverá recusa.


Um estuprador não é um ‘animal’, ele e um humano estuprador. Um assassino não é ‘selvagem’, ele é um humano assassino. Um político incompetente não é ‘burro’, ele é um político incompetente. O homem ou a mulher não monogâmicos não são ‘garanhões’ ou ‘vacas’, são humanos não monogâmicos. Até mesmo quando você chama alguém de verme, está ignorando o papel desses no ciclo biológico. Isso é especismo, que é colocar a espécie humana acima de todas as demais.


Enfim, se quer mesmo ofender alguém, chame o de qualquer adjetivo, menos de designações que o assemelhe a animais irracionais. Prestem atenção nos seus vocabulários... Percebam em quantas situações já usaram os termos. E hoje, hoje é dia do Trabalhador e os animais, além de trabalharem, são explorados como alimentos. A maior parte deles vive sua vida para nos servir e ainda assim não lhe damos o devido valor. Vale sempre lembrar: na dor, somos todos iguais.

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