Quem é esse SER?

Por Ana Floripes - Professora







Que recebe até 48 seres humanos numa mesma sala e ainda consegue identificar entre eles, quem está com fome, em sofrimento psíquico por diversas razões, com dificuldades de aprendizagem, excluído, distraído, apático, doente etc. Após identificar as necessidades, questiona-se sobre as possíveis causas e vai além, faz encaminhamentos e até “vaquinha” para pagar consulta médica, cesta básica, conta de água e luz, etc. Ademais, muitas vezes, na hora de emergência, coloca a criança e adolescente em seu carro e os leva para alguém socorrer, quando não se consegue nem falar com as famílias.


Que saí do portão da instituição e diante da exaustão demora até para encontrar seu carro que ficou estacionado em algum lugar.


Que enfrenta os poderes legislativo e executivo em nome da criança e do adolescente e chora quando perde criança e adolescente para as drogas, doença, suicídio, prostituição, etc.


Que chega em casa com hematomas no corpo por tentar proteger crianças e adolescentes na hora das crises.


Que descobre situações de abuso, denuncia e vira testemunha no Fórum e passa horas de seu tempo de descanso acalmando criança e adolescente, via celular, principalmente, nesse período de pandemia.


Que é de carne e osso e desrespeitado por grande parte da sociedade e governo. Grita e não é ouvido.


Que poucas pessoas perguntam: “Você está bem. Posso lhe ajudar?” “Seu semblante está triste, o que houve. Quero ouvi-lo(a).”


Que se obriga a engolir o choro sem opção, porque sempre estará errado para parte da sociedade.


Que recebe as demandas terceirizadas e terá que estar preparado(a), pois tudo que der errado, a culpa será sua, pois poucos assumem suas responsabilidades.


Que não tem paz, pois o governo não dá trégua, os ataques viraram regra. E grande parte da sociedade, o segue na estratégia de tripudiar e humilhar. Em seguida, também condena, caso haja algum erro em momento de estresse. Há até situações que esse ser vai parar na justiça, porque ele nunca poderá perder o equilíbrio. Se perder, está perdido. Será julgado e condenado. Até temos treinado outros seres a olharem para aquele ser e perceber que naquele corpo mora um ser humano com emoções.


Que responde ações no Ministério Público e que deveriam ser para outras instituições governamentais, todavia, aquele lugar é o mais próximo para receber a “porrada”. É visível, ficam tímidos e escolhem não enfrentar as demais.


Que não há mais brilho nos olhos e se perguntassem à maioria: “Se pudesse voltar atrás e escolher outra profissão, escolheria essa mesma? A resposta? Você nem imagina...


Que se alegra com pequenas ações que reconhecem o seu esforço e quando desabafa ou pede socorro, logo ouve: “Não está contente mude de profissão.” E assim, infelizmente, vamos seguindo...


Quem é esse ser? É o Professor (a)...


Seguem as perguntas que mais tenho respondido ultimamente:


Professora, qual é o seu maior medo no processo de retorno de aulas presenciais? "O medo de perder algum estudante ou colega de trabalho para a Covid-19. Se isso acontecer, nos marcará negativamente para sempre.


Professora, as escolas têm como assegurar a proteção nesse período de pandemia? "Não temos controle de nada e cada ser humano é único e nem todos se conscientizaram dos cuidados necessários para ganharmos a luta contra o coronavírus. Há muitos negacionistas.


Professora, o estado garantiu os recursos necessários para o retorno de aulas presenciais, com segurança? "Até agora, não. Por isso, adiaram o retorno para março. Trata-se de uma situação extremamente difícil. Estamos também sem os recursos tecnológicos para transmissão.”


Professora, você está no grupo de risco? "Sim. Todos estamos, inclusive naquele grupo sem comorbidades, porém com risco eminente de ser uma transmissora do coronavírus para o grupo com comorbidades, e detalhe: sem ter conhecimento da situação, caso assintomático.


Professora, o que lhe deixaria arrasada, "no chão"? "Saber que fui a transmissora do coronavírus e, como consequência, alguém perder a vida...


Por fim, a culpa dessa situação não é dos Profissionais da Educação. Nós estamos fazendo o possível e impossível para atendermos as demandas. Elas têm aumentado muito e são complexas. Muitas vezes nos colocamos em risco por sermos obrigados a seguir determinações, sem direito a questionar. Portanto, tenham compaixão de nós. É comum, termos empatia. A meu ver, essa deveria funcionar igual estrada de mão dupla...


Somos seres humanos... Do que estamos sofrendo? Ansiedade e insegurança generalizada.



#venhavacina





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