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Quando um animal vai embora...

Por: Aida Franco de LimaProfª. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica, Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial; Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais;Técnica em Vestuário; Escritora da Série: Guardador de Palavras da Gabi.


Pinguinho, quando foi resgatado da ruas em 2016. Sem conseguir achar seu lar original, foi adotado e nos adotou (Foto: Aida Franco de Lima)


Quem realmente ama e já teve um animal de estimação sabe. Quando eles vão embora fica um vazio tão grande e um silêncio tão assustador, que a gente promete a nós mesmos que não vamos mais adotar nenhum. Que a gente não quer mais passar essa dor... Mas as coisas não deveriam funcionar assim, pois milhares de outros deles precisam de um lar como o nosso, que oferecemos a única coisa que querem de nós, amor, em forma de cuidado e presença. Um animal, que acolhemos só tem a nós durante sua vida toda. Sua vida se resume ao nosso universo e quando partem, foi embora um pequeno pedaço do nosso universo também.

Pode parecer exagero, em meio a uma pandemia, quase meio milhão de mortos oficiais no Brasil, fora os números não computados, fora as vidas perdidas por outros motivos decorrentes da pandemia, e um texto pra falar de cachorro? Sim, de cachorro ou gato, o animal que for, são nossos melhores amigos.

Repararam quantos animais estão partindo nesse tão, relativamente, curto espaço de tempo? Algumas pessoas dizem que os animais nos protegem das coisas ruins, que se algo for pra se abater sobre nós, nos protegem como escudos. Eu não sei no que acredito, eu sei que eles nos proporcionam muito mais coisas boas do que podemos oferecer a eles. Mas ainda não estamos preparados para essa conversa, pois o dia que assim for, a humanidade terá que dar uma guinada.

Somente nesse ano perdi dois deles, dois que encontrei nas ruas e levei para casa, de dezenas dos que já adotei, 99% vira-latas e 100% amorosos. Dá trabalho? Sim. Gasta dinheiro? Sim. Faz perder tempo, acordar de madrugada, suja a casa e o quintal? Sim. Faria tudo de novo por eles? Sim!

Quem me conhece sabe o quanto amo os animais, aliás, deixei de tê-los como alimentos aos nove anos. Nesse dia 13 de junho foi embora o Pinguinho e no dia 09 de abril, a Branquinha. Escrevo sobre esses dois, como forma de homenageá-los e também a todas as pessoas que perderam a companhia desses seres que transformam nossas vidas e fazem delas seu próprio mundo. E se puder um conselho dar, eu digo. Adotem, não vai substituir os que morreram, mas vai mudar a vida de outros que tanto precisam de lares.


Quando Branquinha veio da rua e logo após receber banho e tosa, paparicada pela Gabi (Foto: Aida Franco de Lima)


Um dia minha filha, a Gabi saiu triste da aula de catequese. E perguntei porque estava daquele jeito. Me respondeu que a professora substituta contou que os animais não vão para o céu. E eu perguntei à Gabi o que falou para a professora. E ela: "Professora, como seremos felizes no céu, sem os animais?". E então falei pra Gabi sobre crenças, sobre amor aos animais e disse que aquela professora não sabia de nada! Onde já se viu alguém responder isso a uma criança? Não era momento de falar de como os animais nos ensinam? Mas para tanto, é preciso saber, também, aprender com eles.

Encontrei a Branquinha em uma calçada, há uns dez anos. Amo animais, mas tenho medo. Então, minha amiga Valquiria Charles com mais uma pessoa muito especial me ajudou a recolhê-la. Ficou com a gente como lar temporário... Em uma noite, eu cheguei do trabalho e a vi lambendo algo... Não sabia o que era. Eram dois filhotes! Logo depois a castrei e ficou como 'lar temporário para sempre'. Eu não sei em que cada um acredita, mas eu acredito que os animais não vieram para esse Planeta para que fossem explorados, nem torturados e muito menos para virar nossa comida... Não é difícil deixar de comer carne não, difícil é ver quando eles partem. Se você olhar nos olhos de um animal, talvez não terá coragem de comê-los. Se os abatedouros tivessem paredes de vidro, boa parte dos humanos seria vegetariano. Essas frases não são minhas, mas resumem um pouco do contexto. Estou falando isso porque enquanto a Branquinha foi assistida para partir, outros estão partindo sem ter ninguém para cuidar ou chorar por eles.

Era por volta de 2016, todo mundo via o Pinguinho na rua, sabia que estava perdido, ele acompanhava as pessoas, muito provável na tentativa de voltar pra casa. Mas quando alguém tentava pegá-lo, fugia. Uma vez a Simone Ziliane o pegou, e ele fugiu. Na segunda ela o resgatou e trouxe pra casa e fugiu de novo, pela fresta da janela disparou através do portão. Briguei com os pedreiros que faziam uma obra aqui em casa, achei que era negligência deles. Na terceira eu armei um plano. Entrei em um posto de gasolina na Pracinha do Japonês, combinei com o frentista. Eu entraria no banheiro e quando ele fosse atrás de mim ele o pegaria de surpresa. O plano infalível deu certo, mas ele deixou de lembrança um mordida na mão do moço. Um dia eu passei lá e o agradeci.


Branquinha, com medo dos fogos, improvisei uma faixa com u