Professora Tania: suas sementes germinaram

Atualizado: Fev 9


Por Ana Floripes - Professora




Hoje o pôr do sol esteve melancólico para mim, mas ainda assim, estava bonito. Fechei meus olhos por várias vezes, só para buscar a imagem da Tania Mara Cavasin Ganacin, sorrindo, brincando e me abraçando. Hoje, a nossa amiga partiu da Terra. Nunca estamos preparados para despedidas, as repentinas são extremamente doloridas. Sentimos o impacto.


Assim que o sol se escondeu, procurei um livro que guardo com muito carinho. O autor, é um ex-aluno nosso. Na época também era professora dele. Eu trabalhava no CEEBJA – Saada Mitre Abou Nabhan. A professora Tania sempre buscava materiais para trabalhar com seus alunos. Ela atuava na Classe Especial para pessoas com deficiência física. Depois fui trabalhar no Núcleo de Educação de Cianorte e alguns estudantes escreveram suas histórias. Elas foram publicadas e realizamos a Noite de Autógrafos, entre elas, havia o livro “Trajetória” – Autor Joel Correia da Silva. Ano 2006.






Seguem alguns trechos:


(...) Em 1992 o problema foi solucionado e passamos a fazer parte de um Colégio público. No começo era tudo estranho, as pessoas olhando a gente andar, outros olhavam ignorando, etc. A professora Tania neste processo de inclusão fazia o possível e impossível para nos sentirmos à vontade. Seu marido, professor Vanderlei, que lecionava no Colégio Estadual Igléa Grollmann, foi outro que nos deu a maior força, dando explicações de como agir em determinadas situações....

Confesso que sem eles, não saberia como proceder, pois nunca havia convivido numa escola pública. Achava tudo estranho. Tivemos que recomeçar da segunda série. Viemos transferidos da APAE. Com as diferenças que existem num lugar assim, acabei perdendo o medo ou a inibição perante a sociedade. Tenho deficiência física-neuromotora, sequela de paralisia infantil. Desde pequeno, quando saía na rua, sempre ouvia as pessoas falando:

- Olha, como aquele menino anda...

Como é que deixam ele sair de casa assim?

Ou então:

- Como é que pode uma coisa dessa? (...)


(...) Como a Classe Especial não certificava, foi decidido fazer o Supletivo no CEEBJA, mas devido as barreiras arquitetônicas, o anjo de minha vida, Professora Tania, buscava as apostilas. Quando eu ficava muito ansioso, ela dizia: “Ninguém vai pegar o trem”. As apostilas, estudávamos em casa e na sala de aula. Para fazer as avaliações ela nos levava até o CEEBJA - Saada Mitre Abou Nabhan, de Cianorte-PR. (...)


(..) Professora Tania, Professor Vanderlei e Professora Leila,

Amigos de verdade são vocês, que com toda a dificuldade que tenho, acreditam em mim, não me deixam desistir de nada e tentam “esconder os buracos que possam existir em meu caminho”. Deus é glorioso e lhes dará em dobro tudo que fizeram por mim. Espero um dia vê-los no “pódio” mais alto da vida e, podem ter certeza, estarei lá embaixo aplaudindo.”


O Joel concluiu o Ensino Superior. Os professores citados acima o ajudaram até o último momento na Universidade.


Siga a luz, querida amiga Tania! Continue sua trajetória.


Gratidão por tudo que semeou nesse plano, maiormente, por sua existência. Sentiremos muitas saudades. Um dia nos encontraremos novamente...




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