Preconceito e/ou hipocrisia?

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


Fiz uma postagem, ainda hoje, com os seguintes termos .... Rebeca Andrade. Negra, pobre, do terceiro mundo e medalhista olímpica.

... que gerou muitas contestações porque eu teria me referido, de maneira equivocada, a sua raça .... ela é apenas uma vitoriosa, independente de sua cor.

Li ótimos e sólidos argumentos, certamente de pessoas que respeitam todas as raças, mas me despertou o desejo de enfatizar este tema. Somos, sei que é difícil tocar neste tema tabu, culturalmente racistas, fruto da imensa mancha histórica na ação contundente no tráfico negreiro e na postergação inexplicável da abolição da escravatura e imensa injustiça social, pela privação de oportunidades e horizontes a todos mesmo decorridas várias gerações. Tome-se qualquer parâmetro, social, cultural ou esportivo, e estará escancarada a nossa incapacidade de nos penitenciarmos dos erros históricos. Reagimos a cotas raciais, ou ações similares, com o pueril argumento de que somos todos iguais e é a capacidade que deve ser privilegiada. No fundo, ainda que intencional, mesmo quando reconhecemos a ação criminosa contra toda uma raça, nos concedemos o direito de lutar pelo status quo como se fosse decente manter negros na periferia de nossa pirâmide cultural, econômica e social. Do topo da pirâmide, com hipocrisia, bradamos pela igualdade de oportunidades porque todas as raças são iguais. Capturamos, prendemos, seviciamos, humilhamos, escravizamos, vetamos o acesso ao trabalho, aos melhores empregos, às melhores faculdades e ainda ousamos falar em igualdade? Percorremos em carros de último tipo a estrada da vida ultrapassando negros que seguem à pé, na contramão do sucesso, segregados pela nossa hipocrisia, e ainda lhes recusamos carona para percorrer atalhos que encurtem a distância que construímos com sangue e suor negro. Onde está o senso de justiça? Simples. Adaptamos nosso preconceito ao politicamente correto. Não mais escancarado e assumido mas subliminar e escudado por argumentos de coerência duvidosa mas suficientes para proteger nossas consciências da pecha preconceituosa. Tudo que cometemos tem um custo social que precisa ser resgatado. É uma dívida enorme, um crime coletivo que cometemos com a mesma complacência que cobramos que eles, os negros, se virem e sejam melhores. Não. Os negros não são melhores, são apenas iguais. Mas são vítimas da elite econômica, cultural e política, e BRANCA, que os escravizou por séculos e seguiu injusta por outras tantas décadas. Reitero minha admiração, minha gratidão e reconhecimento pela medalha da nossa Rebeca Andrade. O seu caminho foi muito mais árduo simplesmente porque ela é negra! A Dayane declarou ainda este mês que nem mesmo podia frequentar banheiro da brancas! (Sim! neste século, alias nesta década). E porque tenho vergonha de tudo que cometemos contra a raça negra, dou imenso valor a sua conquista. Que venham novos pódios para novas rebecas e que eles se multipliquem nas empresas, instituições, academias e nos esportes!