Palmeira-real e beijinho, bonitinhos mas ordinários

Atualizado: Jan 11

Aida Franco de Lima – Professora universitária há 20 anos. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial (UEPG - PR); Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais (SENAC - EMBRATUR);Técnica em Vestuário (CEEP - PR); escritora (Série: Guardador de Palavras da Gabi).

Usadas no paisagismo público o beijinho e palmeira, no reflexo do espelho, são espécies que impedem o crescimento de nativas. (Foto: Prefeitura de Cianorte)


Você já deve ter observado por aí, inclusive em repartições públicas. Vasos ornamentais, cobertos de uma plantinha colorida, popularmente conhecida como balsamina, beijinho, beijo, beijo-de-frade, beijo-turco, ciúmes, maravilha, maria-sem-vergonha, melindre, não-me-toque ou suspiro (Impatiens walleriana). Também deve ter notado, por toda parte da cidade a praga da palmeira-real ou palmeira australiana (Archontophoenix cunninghamiana)

Essas plantas, entre outras, que parecem inofensivas e que inclusive são compradas para uso no paisagismo da Cidade, são uma verdadeira armadilha para a natureza. Um paisagismo inconsequente.



A foto mostra o impacto do beijinho no ambiente natural. Toma conta de tudo. (Foto: André Stella


Uma cidade como é Cianorte, que se orgulha por ter uma parte ladeada de matas, deveria ser radicalmente contrária ao plantio dessas espécies. Mas por qual motivo, se são tão bonitinhas e majestosas? Essas plantas são consideradas exóticas invasoras. Isso significa que elas foram importadas de alguma outra região ou país, no caso em específico o beijinho originário da África e a palmeira-real, da Austrália. Adaptam-se tão bem no local para onde são implantadas, que ali se alastram. E mais, tomam contam de tudo e não permitem que as espécies nativas se desenvolvam.


Se você costuma observar o entorno do Cinturão Verde ou alguma outra área de mata qualquer preste atenção. Onde tem maria-sem-vergonha, beijinho pras outras espécies! Não brota nada. Ele forra tudo. A palmeira-real, nem poderia ser plantadas perto do Cinturão Verde, a lei impede isso. Cada árvore, na fase adulta, produz cerca de 3.600 sementes por ano, sem falar dos mandruvás.


Eu, uma simples jornalista, sei dessa informação porque gosto da área ambiental e estudo, porque já fiz inúmeros cursos e porque já tive a oportunidade de participar de algumas ações do Instituto Hórus de Conservação Ambiental (https://institutohorus.org.br/) uma entidade que agrega pesquisadores diversos, com uma base de dados que é referência internacional. Se você, gestor ou não, quer saber do impacto e a relação de espécies exóticas e invasoras, navegue por lá.


Palmeira-real, virou 'febre' em muitas cidades e em Cianorte não é diferente. (Foto: Aida Franco)


O cidadão comum não tem obrigação de saber qual planta ou animal é exótica ou além de exótico, invasor. Mas cabe aos órgãos públicos, no caso em questão o Município, repassar essa informação. E os responsáveis por tais órgãos têm a obrigação de saber distinguir. Também cabe aos legisladores, no caso os vereadores, coibir essa prática. Se não há esforços para combater as exóticas e invasoras, no mínimo devem ser proibidas sua compra com o dinheiro público. Aliás, precisamos mesmo é do incentivo para o plantio de espécies nativas, principalmente frutíferas. A natureza e os cofres públicos agradecem, afinal, deve ter coisa mais importante para uma cidade que investir no mínimo 1200 reais em cada palmeira- real. Na verdade, surreal, em se tratando de verba pública.

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