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O tão sonhado fim da ‘Serraria Municipal do Meio Ambiente de Cianorte’, parece que chegou

: Aida Franco de LimaProfª. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica, Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial; Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais;Técnica em Vestuário; Escritora da Série: Guardador de Palavras da Gabi.



Alguns enxergam as árvores como cartões postais outros como empecilho, mas o fato é que precisamos mais delas do que elas de nós (Foto: Aida Franco de Lima)


Sim, você não leu errado. Em Cianorte, em vez de uma Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que deveria proteger nosso meio ambiente e, incluindo-se aí, as árvores urbanas, até dezembro de 2020 o que tínhamos era um setor especializado em corte, uma verdadeira serraria!

Os cortes eram diários. Não importava se era árvore em uma praça ou na frente de residência. As desculpas eram sempre as mesmas: coloca em risco a segurança das pessoas, a árvore estava condenada, o Conselho do Meio Ambiente aprovou.

Árvores cortadas sem necessidade faziam parte da triste rotina de Cianorte, até 2020. Que isso nunca mais recomece


Cansamos de divulgar abaixo-assinado para denunciar os cortes desnecessários e as podas drásticas, que condenam as árvores. Nunca fomos escutados. Sempre fomos tidos como os "ecochatos", porque não aceitávamos tantos cortes. Lá se foram incontáveis árvores da Praça 26 de Julho, Primo Manfrinato, Bosque da Matriz, Praça dos Corretores, Feira dos Produtores e por aí afora... Para quem não sabe, houve até a sugestão, na Câmara dos Vereadores, de transformar a Praça Raposo Tavares em estacionamento! Em 2019, todas as mudas do nosso Viveiro Municipal morreram porque o local ficou abandonado!



Fotos acima e abaixo do Viveiro Municipal, em 2019, que ficou abandonado por mais de 08 meses. Acima parte do material lenhoso proveniente das árvores urbanas, abaixo, as mudas que cresceram dentro das embalagens e outras que morreram (Fotos: Aida Franco de Lima)


Fizemos denúncias junto aos órgãos ditos competentes, mas não deu em nada. Tamanho o descaso com a natureza e o dinheiro público. Há 03 anos fizemos um abaixo-assinado que chegou a 20 mil assinaturas. Foi pior, quanto mais assinaturas, mais as máquinas roncavam. A informação que tínhamos é que seriam cortadas todos os flamboyants e podem observar, boa parte do vermelho deles não existe mais.

Abaixo-assinado criado há 03 anos que denunciava o corte indiscriminado de árvores urbanas em Cianorte


Eu e assim outros amigos, preocupados com a devastação das árvores urbanas, fizemos protocolos no Ministério Público, tivemos audiências, denunciamos nas redes sociais. Nada. Nada adiantou.

De fato a única mudança que veio e não ganho nada para falar isso, foi com a nova gestão. Ainda assim, no início do ano, houve a continuidade dos cortes de árvores mas em um dia em especial, em 17 de março, o pedido de socorro de ao menos 16 anos foi escutado. A equipe de corte estava atendendo a um pedido, aprovado pelo então Conselho Municipal do Meio Ambiente que havia autorizado a derrubada de mais uma árvore, dessa vez na rua Guararapes. Foi então que um morador, que por coincidência do destino é advogado, questionou e impediu que a motosserra fosse acionada. A justificativa era mais uma daquelas, esfarrapadas. Que parte de quem observa as folhas secas mas não o frescor da sombra e a beleza que uma árvore propicia. O documento dizia que a árvore tocava telhado de residência particular, o que não era verdade, segundo o morador.


A cena mais comum em Cianorte era a derrubada de árvores, como essa. Que estava na mira do corte e foi salva após morador questionar sobre a real necessidade (Foto: Divulgação)


Pois bem, a partir desse dia, a meu ver, foi finalmente enterrada a Serraria Municipal do Meio Ambiente para dar lugar à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Bem Estar Animal. A lista de cortes foi revista e a análise passou a ser técnica. Até porque os Conselheiros do Meio Ambiente, em sua grande maioria, não tem formação na área e entre achar que uma árvore deve ser cortada é muito diferente de avaliar sua condição a partir de parâmetros técnicos. Basta olhar nas redes sociais, quando qualquer pessoa julgasse que uma árvore deveria ser cortada, alguém respondia: fale com fulano, ele ajeita pra você. Ou seja, em boa parte, sabemos, árvores foram cortadas porque alguém era amigo do rei.



LEI Nº 1277, DE 16 DE OUTUBRO DE 1990. DISPÕE SOBRE O PLANO DE ARBORIZAÇÃO URBANA DO MUNICÍPIO DE CIANORTE E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. Art. 8º Fica proibida a poda drástica de árvores, que consiste na eliminação total de seus galhos. A árvore foi 'podada' em 2018 e não existe mais (Foto: Aida Franco de Lima)



Tem chão pra prosseguir? E como tem! Inclusive recentemente, através de uma foto postada por meu amigo César Kazuo nas redes sociais, e que muitos repercutiram sem dar o devido crédito, gerou questionamentos. A foto tratava de duas seringueiras que foram cortadas em frente ao cemitério, no dia 05 de abril. A justificativa é que em virtude do aumento dos óbitos em Cianorte, o trânsito de pessoas naquela região ficou mais intenso e procurou-se evitar que ocorresse algum acidente grave em virtude da queda de galhos.



Fotos das seringueiras cortadas em 05 de abril, em frente ao cemitério, despertaram a voz de quem sempre ficou em silêncio (Foto: César Kazuo)


Eu particularmente discordo, acredito que uma boa poda e mesmo o uso de estacas poderiam solucionar o problema. Penso o mesmo em relação à peroba que havia em frente ao condomínio Martelli, cortada recentemente por estar morta. Talvez pudesse ser transformada em um monumento ou algo nesse sentido, mas claro, é só a opinião de leiga. Mas também não vi a mesma avalanche de indignação em casos similares, como de outra peroba nas proximidades do Ginásio de Esportes, que ainda estava viva, mas com uma parte oca, foi derrubada, devido aos riscos à população. Já li a respeito e sei que há técnicas que poderiam ser testadas para recuperá-la e mesmo evitar acidentes, antes de derrubá-la.


No parquinho infantil a árvore de verdade foi cortada e deu lugar a uma palmeira de plástico (Foto: Aida Franco de Lima)


Em virtude da pandemia não circulo na cidade como antes, mas pude perceber que em vez de apenas cortar árvores foi adotado o critério de podá-las, abrangendo determinada quadra, avenida ou rua. Uma coisa tão óbvia, mas que só agora foi adotada. Mas ainda falta incentivar ou obrigar a reposição das mesmas; orientar que as mudas plantadas sejam regadas e cuidadas; diversificar as espécies envolvendo inclusive as frutíferas adequadas a cada espaço condizente; multar quem corta, envenena ou poda árvore por conta própria; respeitar o período de reprodução das aves; dar visibilidade e transparência ao trabalho realizado, que os pedidos de cortes e podas possam estar visíveis a consultas públicas em um site, entre outros... Mas ainda assim, vejo mais avanço em 06 meses da nova gestão que em 16 anos da anterior. É uma semente de esperança e espero que seja regada e venha a trazer sombra, frutos, flores e novos ares.


BREVE RETROSPECTIVA

2014 - PEROBA ROSAA


Na placa diz que a peroba foi cortada porque estava comprometida, mas desconheço um único estudo que foi feio para protegê-la (Foto: Foto: César Kasuo )


2015 - PRAÇA DA RODOVIÁRIA DE CIANORTE

O local era composto por diversas árvores frondosas e inclusive com um pé de manga no centro de um dos canteiros (Foto: Aida Franco de Lima)



2017 - Avenida Matogrosso

Meta da Prefeitura era cortar todos os pés de manga da Avenida Matogrosso, no trecho das proximidades do Colégio Adventista e Unimed (Foto: PMC)


2019 - Antiga Praça das Andorinhas - Seringueiras da Avenida Maranhão


Em vez de podar e cuidar das seringueiras históricas, elas foram cortadas para dar lugar a vagas para carro (Foto: PMC)


Caule de seringueira 'migrou' do chão para cima de carreta (Foto: Aida Franco de Lima)



Detalhes de uma das seringueiras derrubadas sob a justificativa que estava doente. Os brotos desmentem (Foto: Aida Franco de Lima)



Vista lateral de carreta usada para transportar parte do tronco de uma das seringueiras (Foto: Aida Franco de Lima)



2018 a 2020 - AVENIDA PARAÍBA


Avenida Paraíba em 2018. A Prefeitura de Cianorte chegou a cortar mais de uma dezena de árvores, mas a população manifestou-se e encerraram temporariamente, após todas as árvores da foto foram cortadas (Foto: Aida Franco de Lima)



Detalhe de uma das diversas árvores cortadas na Avenida Paraíba em 2018 (Foto: Aida Franco de Lima)



Parte da ata da Reunião do Conselho do Meio Ambiente que liberou a compra de palmeiras por 144 mil reais que foram plantas no lugar das árvores da avenida Paraíba


Todas as árvores foram cortadas, inclusive as que aparecem ao fundo, dando lugar a palmeiras exóticas, ao custo de 1200 reais cada (Foto: Renata Martins)



Post de 2020 em redes sociais compara o tratamento que era dado às árvores urbanas em Cianorte e Maringá




O local em que foi construída a denominada biblioteca ecológica, devastou uma quantidade significativa de árvores dentro do Cinturão Verde e ainda tiveram a infeliz ideia de pavimentar o entorno da peroba (Foto: PMC)



Exemplo de figueira centenária preservada em Florianópolis (Foto: Divulgação)

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