O que os epidemiologistas aprenderam com o coronavírus após um ano e meio de pandemia

Por: Marcio Nolasco - Editor BN


Mais de 600 especialistas em saúde pública participaram da reunião anual da Sociedade Espanhola de Epidemiologia, cujo eixo principal foi o aprendizado sobre a covid-19


Durante os primeiros anos da pandemia de Aids, quem era contaminado morria sem saber muito bem o por quê. O que chegou a ser conhecido como “câncer gay” afetou sobretudo essa comunidade, sem que ninguém soubesse como se transmitia ou se curava: o diagnóstico era uma sentença de morte. Foi uma época de medo, estigma e perplexidade. Na atual pandemia de covid-19, os cientistas identificaram o vírus que causava a doença antes mesmo que ela tivesse um nome, antes até que a grande maioria da população tivesse sequer ouvido falar dele. Passaram-se alguns meses de dúvidas, de andar às cegas e “matando moscas com canhões”, nas palavras de Fernando Simón, que tem sido o protagonista da resposta à epidemia na Espanha. Ainda há muito a aprender, mas já se sabe bastante sobre o que é fundamental. Apesar dos receios de parte da população por supostas mudanças de critério nas medidas, elas foram de fato o reflexo do avanço da ciência nos 40 anos que separam o início das duas pandemias.


Simón fez referência a isso na reunião anual da Sociedade Espanhola de Epidemiologia (SEE), realizada na semana passada em León. Foi presencial. Depois de um ano e meio de videoconferências, muitos dos especialistas voltavam a se ver, ou o faziam pela primeira vez. Identificavam por trás das máscaras os colegas e jornalistas com quem mantiveram longas conversas ou troca de pareceres nas redes sociais. Porque essa foi justamente uma das lições aprendidas desde que em 11 de março de 2020, há apenas um ano e meio, a Organização Mundial da Saúde classificou a covid-19 como uma pandemia: apesar de o contato social ser o que espalha o vírus, o evento pode transcorrer com bastante segurança se forem adotadas certas medidas. Leia Mais