O CINQUENTENÁRIO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Por Izaura Varella - Advogada e Profesora



No ano de 2.006 a Paróquia Nossa Senhora de Fátima completou 50 anos de fundação. Comemorou com alegria o seu ano jubilar. O Pároco e Reitor do Santuário Eucarístico Diocesano, o Pároco dos 50 anos, era Padre Orlando Paes de Camargo teve especial dedicação em comemorar esta data única.

Quando a Paróquia foi criada em 1.953 a cidade era uma clareira no meio da extensa selva subtropical que cobria esta região. E no meio das perobas imensas e dos ipês, árvores predominantes na mata, nascia a modesta igrejinha de madeira em meio ao verde do atual Bosque João XXIII. Os católicos ansiavam por um local onde pudessem dobrar os joelhos diante de Deus e ali fazer as suas orações. E a pequena população de Cianorte que não passava de mil pessoas foi muito generosa, doando madeira, doando trabalho com o auxílio inestimável da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, a colonizadora responsável pela abertura da cidade. E a modesta igrejinha foi levantada. Nascia ali a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, onde o templo simples de madeira foi pintado de amarelo ocre cor que a Companhia usava em todas as propriedades, e ainda recebeu as cores azul e branco, as cores do manto de Maria, por dentro do templo, anos depois.

Com esta igreja, chega em Cianorte o primeiro Pároco Padre Luiz Mark, alemão, intransigente nas questões de moral e fé. Teve a infelicidade de ser prisioneiro na Segunda Guerra Mundial e andar às voltas com campos de concentração. Talvez por isso a sua memória ficou marcada nos fiéis que o consideravam um padre bravo e nervoso. Também não era para menos, depois de ser um prisioneiro de guerra... Graças a ele começaram os primeiros trabalhos religiosos em Cianorte, um defensor valente da moralidade. Ficou aqui por alguns anos e foi um grande evangelizador. Esteve aqui em Cianorte de volta quando a Paróquia Nossa Senhora de Fátima completou 25 anos e nunca recebeu nenhuma homenagem pública em vida. Qu8ando chegaram os 50 anos da Paróquia ele foi homenageado de forma muito especial. Eis que a Casa da Memória leva o seu nome através de um projeto de lei de iniciativa do Prefeito Municipal Edno Guimarães e aquele ambiente cultural passa a ser chamado CASA DA MEMÓRIA PADRE LUIZ MARK”. Que bela e singela homenagem, pois, a Casa da Memória nada mais é que a primeira igreja construída em Cianorte, e, que tombada tornou-se patrimônio público municipal ao ser transportada para a Vila Sete. E quantas celebrações o Padre Luiz Mark não fez naquele velho altar! E hoje impera a falta de respeito por nosso patrimônio, que se encontra em entregue às favas, com o descuido de anos anteriores. Pergunto quem sabe o nome da Casa da Memória e todos conhecem “a tal igrejinha azul que nunca foi azul!”

A pequena igreja foi em 2.005 sendo restaurada pela iniciativa da Fundação Morena Rosa, o que demonstrou a sensibilidade desta organização em dedicar-se à preservação deste patrimônio cultural. E mais cinqüenta anos se passaram e a igrejinha continua em pé. As próximas gerações poderão vê-la e quiçá, quando chegar aos 100 anos, nossos filhos e nossos netos poderão cultuar a memória das primeiras pessoas que passaram por aqui e deixaram aqui gravada a sua história.

Izaura Varella

Advogada e Professora

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