Não se constrói uma nação sem a área educacional

Por Ana Floripes - Professora



Homenagem ao Edvaldo - Formatura do Curso Superior



Após publicação do texto sobre o meu amigo Edvaldo Alves Pereira, título “Eu não ando e não falo, mas tenho sonhos e luto diariamente para realizá-los", várias pessoas questionaram sobre ele. Dessa vez, pretendo apresentar nas entrelinhas a importância dos Professores. A meu ver, tanto os docentes quanto as pessoas com deficiência vivem no mundo da invisibilidade e a desvalorização dos professores ocasionam sérias consequências ao país. Entretanto, é possível comprovar que muitos profissionais realizam pequenos milagres no dia a dia e cumprem o papel social. Um país que não valoriza professor é uma nação sem prosperidade. A Varkey Foundation, entidade que atua no processo de melhoria da profissão docente, divulgou no ano de 2018, o relatório que expõe o resultado de como a sociedade enxerga o professor, isto é, se valoriza ou não. A pesquisa foi realizada em 35 países, o Brasil ficou com a última posição do ranking, infelizmente.



Voltando ao assunto questionado. Edvaldo, no ano de 1986, foi matriculado na Escola de Educação Especial “Vamos Caminhar Juntos”, município de Jussara, mantida pela APAE, destinada ao atendimento de pessoas com deficiência intelectual. No início de seus estudos, por faltar-lhe a comunicação oral, foi confundido com estudantes com deficiência intelectual. No momento em que os profissionais da escola perceberam que ele não possuía a referida deficiência, aceleraram o seu processo de escolarização. “Percebi que, enquanto explicava os conteúdos em sala (Edvaldo era aluno ouvinte) respondia através da movimentação dos olhos tudo o que estava sendo explicado, mesmo antes dos outros”. Professora Maria da Conceição.


Edvaldo começou a escrever seu livro no ano de 1999, quando, após leitura de alguns livros da literatura brasileira, inspirou-se no exemplo de Helena Kolody, que contava fases importantes de sua vida, alternando com poesia e realidade. Ele escrevia seus textos em casa, no seu computador e trazia-os até a escola para que a professora Sonia Maria Peteck Moro, da Escola de Educação Especial “Vamos Caminhar Juntos”, do município de Jussara, pudesse corrigi-los. Essa atividade acontecia praticamente toda semana, ele escrevendo seus textos e a professora orientando e adequando. Depois de mais de um ano, a atividade de escrita do livro diminuiu, pois Edvaldo estava cursando o Ensino Médio no Colégio Estadual “Senador Morais de Barros” – EFM, ocasionando o acúmulo de tarefas, trabalhos e avaliações, não sobrando muito tempo para terminar o seu livro. Aliás, em certa ocasião ele mencionou o fato de querer desistir de estudar, pois acreditava que não conseguiria.


Concluído o Ensino Médio, Edvaldo voltou a se dedicar exclusivamente a sua autobiografia, levando seus textos e poesias para a referida professora fazer as correções necessárias. Ele precisava ocupar seu tempo, porque tinha poucas esperanças de frequentar a Faculdade devido às dificuldades de acessibilidade.


Segundo a professora Sonia (ele sempre dizia: “ela é anjo”), no dia em que Edvaldo chegou à Escola de Educação Especial e, com sorriso largo no rosto disse que havia acabado de escrever seu livro, foi muito emocionante. Ele estava muito feliz, pois esse livro era a concretização de um sonho. O sonho de poder falar e ser ouvido, não da maneira habitual da maioria das pessoas, mas do jeito que cada um tem condições de fazê-lo, seja através da linguagem ou língua escrita; não importa o método a ser utilizado e sim o objetivo alcançado. A partir desse instante a professora Sonia entrou em contato com o Núcleo Regional de Educação e conversou comigo, eu atuava como Coordenadora Educação Especial, contou-me o fato, já que ela estava ciente de que Edvaldo estava escrevendo um livro há mais de três anos.


O Núcleo Regional da Educação de Cianorte tomou as providências cabíveis para efetivação desse projeto, isto é, a publicação do livro de Edvaldo Alves Pereira: “As diversas fases de um deficiente”. O livro do Edvaldo contou com a participação especial de Nardélio Fernandes Luz, de Uberlândia-MG, que o prefaciou. Ele era uma pessoa muito ativa, mas, aos 31 anos, depois de um mergulho de mau jeito num rio, bateu com a cabeça, fraturando a sexta vértebra cervical, ocorrendo uma lesão medular irreversível. Ficou tetraplégico, mas, como Edvaldo, nunca desistiu de lutar. Nardélio tornou-se escritor após o acidente. Em agosto de 2005, em Cianorte, foi realizada a sua noite de autógrafos e a entrega do livro às escolas estaduais, municipais e filantrópicas pertencentes ao Núcleo Regional de Educação de Cianorte, gratuitamente. Este evento teve grande repercussão e relevância no processo educacional de nossa região.




Professora Sonia, Edvaldo e o livro.

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