NÃO SE ASSUNTEM COM OS URUBUS

Por Isaura Varella - Historiadora e Advogada

Esta crônica foi escrita em 2.008


O bom observador já percebeu que um casal de urubus e dois filhotes habitam nossa Cianorte, mais especificamente, fizeram seu ninho e construíram a sua família em uma cavidade na parte mais do Fórum antigo. Sim, justamente na parte mais alta, onde está escrito “Fórum”. Eles não estão nem um pouco preocupados com a irregularidade da posse e uso do local. Não estão ligados às leis civis e à ordem social, e nem se preocupam se algum advogado lhes mover uma ação de despejo. Estão, tão somente, ligados á ordem da natureza. Bem lá no alto resolveu a fêmea botar dois ovos, que, aliás, é o máximo de ovos por ninho, e com o carinho de mãe, seja ela urubu ou não, juntamente, com o seu par o urubu macho chocaram os dois ovos.

Não demorou muito tempo, perto de trinta e nove dias, nasceram os dois filhotes em cima da casa da justiça e justiça se faça, pois, lá não se cobra aluguel e nem são açodados por qualquer ação judicial de desocupação do imóvel. Pairam serenos e despreocupados no alto.

Agora que o casal construiu a sua família há que se esforçar para conseguir comida para os pequenos e indecentes filhotes. Um dia destes estava saindo da agência do Sicoob, quando ainda era na Avenida Paraná, quando o casal sobrevoou a avenida, passou por cima do Bradesco e foi pousar atrás daqueles prédios que seguem juntinhos na avenida. Voaram bem rasantes por cima dos prédios e talvez lá por trás, haja alguma sobra de comida que foram desfrutar gratuitamente.

Os urubus, antes habitantes dos campos e áreas florestais agora habitam as cidades. Tem bico forte e recurvo e a pele do pescoço é enrugada. São feios. Quando os filhotes nascem os pais alimentam os mesmos com um tal líquido fétido que regurgitam para dentro da boca dos mesmos. Assim alimentam os recém nascidos, já que os mesmos não sabem voar. Só voarão depois de onze semanas de vida, ou seja, com 77 dias de vida.

Mas não podemos falar mal desta ave de rapina que é capaz de ser mais eficiente que o homem quando desempenha o importante papel sanitário: em razão de sua alta voracidade, come restos de animais mortos em decomposição e animais agonizantes e quando a barriga fica cheia exala um odor repugnante e forte.

Os urubus tem o hábito de passarem a noite empoleirados em galhos baixos, sempre no mesmo lugar. Mal o sol nasce, levantam vôo e vão para os pontos mais altos e lá se transformam em observadores de caça. Quando visualizam uma carcaça pousam perto dela durante uma hora, observando cuidadosamente, se não há perigo por perto e só depois deste tempo, mesmo estando com muita fome, é que se deleitam com a comida. O Fórum antigo tem história por abrigar entre suas árvores aves estranhas. Há alguns anos atrás, um urutau fez um ninho em cima de um galho de árvore e lá se fixou com sua cria, permanecendo imóvel e confundindo-se com o próprio galho onde fez o ninho. Agora abriga um casal de urubus como hóspedes temporários.

Vão ficar por lá até não serem incomodados e cumprirem o ciclo que a natureza lhes destinou. O ciclo natural da vida não admite a lei dos homens! Izaura Varella – tão somente observadora Memórias da minha terra

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