Meu herói bandido.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro civil e diretor da CIA FM.


Dia triste. Confuso.

Mais um recorde, 3251 mortes pela covid e, finalmente, nosso presidente se rendendo à vacina. Os fatos se ligam, tristemente. Santa ironia.


Preciso registrar o fato mais notório do dia. A quebra definitiva do mito Moro, condenado por suspeição pelo STF. Lula livre, Aécio liberado e Moro condenado. Santa ironia.

Passei anos dando voz a ira santa que sempre me motivou na luta contra a corrupção, repetindo lições aprendidas na caminhada pela liberdade e pela democracia que arrebatou almas e corações de brasileiros que acreditaram na nossa capacidade de construir um país justo.


Sou filho de um homem que como deputado ousou comandar uma CPI da corrupção em plena ditadura. Senti medo com capangas de um general de pijama que tentaram invadir minha casa com armas pesadas. Tive raiva ao ver meu pai descer uma ladeira, de carro em Brasília, fechado pelos serviçais da ditadura. Tive ódio quando sequestraram a filha do também deputado Hélio Duque como pressão para que desistissem.


Chorei ao lado de ambos, Duque e Walber, quando, fortes e destemidos, se renderam à força e foram até Aureliano para um acordo para finalizar a CPI. Malluf, Lutfalla, Correios, Jari e tantos outros crimes ficaram pra trás porque a alternativa era a segurança das famílias. Sim, Duque e Walber recuaram pelas suas famílias, jamais o fariam por si.

Acompanhei, muitos in loco, inúmeras tentativas de punir bandidos travestidos de excelências, como na CPI do Banestado. Um histórico de frustrações até Sergio Moro.


Acreditei na nova justiça que desconhecia poderosos que enfrentou a todos e, pela primeira vez na história, colocou, como cidadãos comuns, presidentes, senadores, governadores, deputados e empreiteiros igualados na pecha comum; bandidos.

Nada mudará os fatos; foi desbaratada a maior quadrilha pública da história da humanidade que, para além da quadrilha petista, se iniciava na privataria tucana, poupada por prescrição de tempo e identidade ideológica.


Sonhei com um novo país e acordei com Bolsonaro.

Mas o que está ruim pode ficar pior e, Sergio Moro, um raríssimo homem público admirável percorreu atalhos indefensáveis para garantir êxito da Lava Jato.

Os fins jamais podem justificar os meios. Infelizmente.

Moro é rei morto.


Seguem na arena Lula e Jair, medíocres por razões diversas e não há empate neste jogo.

O bom senso, que Moro não respeitou, precisa entrar no páreo.

Se não tenho idade para utopias, preciso continuar sonhando com um país que puna mais que pretos, pobres e prostitutas.


Políticos não podem seguir sendo nossos bandidos preferidos.



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