Maria da Penha

O ACOLHIMENTO NA PRÁXIS UNIVERSITÁRIA

* Por Giovana Moura




Faça a diferença. Tantas vezes ouvimos este conselho e tantas vezes repito na minha rotina de professora, com intenção de conscientizar meus alunos e alunas da importância de colocá-lo em prática. Com o projeto de extensão universitária “Inspiradora Maria da Penha: beleza e autoestima para mulheres” sinto que estamos cumprindo este mandamento.

O projeto faz parte do curso de graduação em Estética e Cosmética da Universidade Paranaense, do qual sou coordenadora. Iniciamos no ano passado e já computamos milhares de atendimentos, com uma equipe formada por acadêmicas competentes e entusiasmadas para... fazer a diferença.

Aplicando conhecimento científico e princípios de solidariedade, atendemos nos laboratórios do curso de Estética e Cosmética da Unipar mulheres vítimas de violência doméstica [inseridas no grupo de apoio do programa da Defensoria Pública do Paraná]. Elas são recebidas às quintas-feiras, das 17h às 19h, para procedimentos estéticos gratuitos, como hidratação e higienização facial, massagem relaxante, modelagem de sobrancelha, massagem com pedras quentes, spa de pés e de mãos e sessões de aromaterapia. A ideia é contemplá-las com momentos para relaxar, se embelezar, cuidar da saúde e do bem-estar, que estão intimamente relacionados ao empoderamento feminino, à autoconfiança e à valorização pessoal. Falamos que é o momento delas! Momento de meditar, de pensar nelas, na vida, nas alegrias e deixar os problemas de lado. Durante os procedimentos algumas conversam, contam como foi o seu dia, interagem, já outras preferem ficar quietas, o que, claro, respeitamos.

Mas um dos desafios do projeto está, mais ou menos, relacionado a isso: no começo, algumas delas não queriam ou não deixavam ser tocadas. Talvez por medo, trauma ou receio; elas diziam que foram apenas para ver e conhecer o projeto. E com o passar dos dias, foram se soltando, deixando ser tocadas e até aceitando a receber uma massagem, fato que comemoramos.

Acompanhar a evolução dessas mulheres, perceber o bem que estamos proporcionando a todas, é um dos maiores motivos para continuarmos o trabalho, sabendo que, para nosso orgulho, estamos contribuindo com a sociedade, apoiando pessoas que tanto precisam de carinho e atenção, entre tantas outras necessidades.

O profissional de estética é preparado para atuar com uma visão holística do paciente, isso é, ver o indivíduo como um todo, considerando a relação direta entre o bem-estar físico, psíquico, mental, ambiental, econômico e social. E a extrema dedicação das acadêmicas no projeto comprova que entenderam a lição.

De tudo isso, o sorriso ao final de cada atendimento é a maior recompensa. Um agradecimento, com brilho nos olhos, pela oportunidade de poderem cuidar da saúde física e mental é prova crucial de que estamos no caminho certo. E também as frases – “parece que sou outra pessoa”, “amei”, “farei o máximo para vir toda semana” – que soltam espontaneamente só aguçam ainda mais o nosso ânimo. São palavras sinceras que marcam o dia de cada acadêmica que encaram a missão.

O objetivo é este mesmo: despertar a visão humanística das futuras profissionais, promover atitudes cidadãs, buscando beneficiar a sociedade de alguma forma. Porque, nesse momento, cuidamos individualmente de uma mulher, mas essa mulher possui filhos, parentes e amigos. Multiplicando com tantas que comparecem ao projeto, o resultado nos permite entender que estamos cuidando indiretamente de muitas famílias e mostrando que nessa verdadeira práxis acadêmica, acima de tudo, não basta termos um bom espírito, o mais importante é aplicá-lo. *Giovana Mioto de Moura é professora universitária; na Unipar, coordena o Curso Superior de Estética e Cosmética.

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