Kairós: o tempo que não pode ser controlado

Por Ana Floripes - Professora




Para se alcançar o tempo Kairós é preciso silenciar um pouco, aquietar com as coisas da vida e, diminuir o ritmo.

Kairós significa algo como certo, supremo, oportuno. Os gregos intitulavam o tempo como Chronos e Kairós. Crhonos era usado para definir o tempo cronológico e linear. Kairós era utilizado para definir o tempo existencial. Wikipédia

UMA CRISE ESPIRITUAL PROFUNDA


"Estamos vivendo na maior revolução ocorrida na História - um enorme, espontâneo levante de toda a raça humana: não a revolução planejada e realizada por qualquer partido particular, raça ou nação, mas um profundo, fundamental fervilhar de todas as íntimas contradições que jamais houve no homem, uma revelação das forças caóticas existentes em todos nós. Não é isso algo que escolhemos, nem algo que estejamos livres de evitar.


Essa revolução é uma crise espiritual profunda do mundo inteiro, manifestada largamente no desespero, no cinismo, na violência, nos conflitos, na autocontradição, na ambivalência, no medo e na esperança, na dúvida e na fé, na criatividade e na destruição, no progresso e no regresso, no apego obsessivo às imagens, aos ídolos, aos 'slogans', aos programas que só servem para amortecer a angústia geral durante alguns momentos, até que venha a explodir por toda parte numa forma ainda mais aguda e aterrorizante. Não sabemos se estamos construindo um mundo fabulosamente maravilhoso ou destruindo tudo o que jamais tivemos, tudo o que realizamos!


Toda a força íntima do homem está a fervilhar e explodir: o bom juntamente com o mau. O bom envenenado pelo mau e combatendo-o. O mau simulando ser bom e revelando-se nos mais horrorosos crimes, justificados e racionalizados pelas mais puras e inocentes intenções.


O homem está pronto para se tornar um deus e, em vez disso, parece, por vezes, ser um zumbi. E assim, tememos reconhecer nosso 'kairos'; e aceitá-lo."


Thomas Merton, "Reflexões de um Espectador Culpado", Vozes 1970, p. 77.


Texto publicado na página do Facebook, "Textos Thomas Merton (1915-1968): monge trapista contemplativo, escritor, poeta, fotógrafo".







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