ILHA DO MEDO - UM FILME SOBRE IDENTIDADE

Em várias discussões sobre o filme Ilha do Medo, do diretor americano Martin Scorsese, muitas pessoas apontaram amar ou odiar o tratamento narrativo do filme. Como ponto negativo, situam uma espécie de falta de sentido ou encaixe dos fatos narrativos, vinculados pela trajetória do personagem principal Teddy Daniels, vivido por Leonardo di Caprio.

Nesta série de reflexões com o objetivo de propagar um pouco da linguagem audiovisual e fazer com que os leitores assistam filmes e tirem algum proveito destas leituras, que eu gostaria de sinalizar alguns pontos, que me parecem ir além desta contestação da falta de sentido ou se essa falta de sentido não é, justamente, o que demanda os aspectos mais interessantes do filme.

Ilha do Medo se passa numa ilha onde se situa um hospital psiquiátrico e tem como tempo narrativo, o ano de 1954. Teddy Daniels aparece como um típico personagem investigador, que já nas primeiras cenas é apresentado como um sujeito preso às suas memórias. Por se tratar de um filme que se apega ao elementos da trama da investigação, há muitas pistas, conexões, desconexões que perturbam a mente deste personagem e também dos espectadores. O recurso narrativo mais evidente utilizado se dá pelo tempo, e pelas conexões entre o passado e o presente que projetam as relações de afeto do personagem.

Aos que assistiram o filme e pretendem revê-lo, sinalizo pensar como se configura a identidade deste personagem que, a meu ver, é importante para a compreensão do filme. Observando por este lado, vamos verificar às concepções éticas e psicológicas na construção dos seus desejos. Este ponto na caracterização do personagem é que faz o filme ter uma grande reviravolta, o que para muitas pessoas opera uma falta de sentido.

Recentemente, participei de um debate sobre esse filme e percebi quantas discussões ele promove. Por este motivo, apesar de ser um filme produzido em 2010, ainda vejo como uma boa dica para uma experiência com as imagens cinematográficas e com filmes que fazem a gente pensar.

Um grande abraço!


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