Eu só autorizo nas urnas, Presidente!

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


Vivemos numa democracia logo, jamais, alguém terá o meu consentimento para ações para além das normas constitucionais portanto, condeno a pauta na íntegra.

Mas questão primordial nem mesmo é a pauta fora de propósito das manifestações de primeiro de maio, mas a administração em si, muito abaixo das expectativas.

Claro que a imensa maioria da população brasileira, democrata por excelência, não admite discutir intervenção militar e nem mesmo existe a mais remota possibilidade de que ela ocorra, muito menos com Bolsonaro à frente. A renúncia de todos os ministros militares, há quarenta dias, foi um recado direto; o Exército serve à Pátria e não ao presidente, este ou qualquer outro que o suceda.

É visível também o descontentamento generalizado do país com os atuais membros do STF e suas invasões nas searas dos demais poderes, executivo e legislativo. Alguns dos ministros conseguem a proeza de serem mais odiados que políticos e isto indicam que já passou da hora de alteramos as regras, no estrito cumprimento do caminho legal. Alteração na metodologia de indicação, a ser pautada por meritocracia, e limites de mandato que os mantenha conectado com a sociedade e não lhes conceda o status de semideuses. Mas isto se resolve via legislação e, neste aspecto, manifestações populares são positivas.

Superada a verificação de pauta, cumpre discutir o essencial; o comportamento do atual governo nos quase 30 meses de administração, sem desconhecer que tudo foi sensivelmente afetada pela pandemia da covid 19.

Dois setores são essenciais; saúde e economia e, exatamente neles, reside a maior decepção com o governo Bolsonaro.

O Ministro da Economia Paulo Guedes tem tido mais destaque por conta de declarações desastradas que por ações em sua pasta. Ainda que ele, após as críticas, comece a entender que filho de porteiro pode ir para faculdade ou que empregadas domésticas podem desfrutar de aeroportos como passageiras, a inércia, ou no mínimo a baixa velocidade, tem sido a principal marca de sua gestão.

Sigo otimista com as propostas de Guedes; privatizações e encolhimento da máquina pública parecem ser muito razoáveis em um país que tem 90% de sua renda comprometida, e todos temos ciência que os 10% restantes estão muito longe de nos levarem ao desenvolvimento. Aeroportos, privatização extremamente exitosa, na primeira etapa, confirma que este caminho precisa ser percorrido com celeridade.

Todavia, os números são cruéis; 14,4% desempregados e 7,4 % de perda da massa salarial (16,8 bi) enquanto administração pública aumentou renda em 5,3%, não o credenciam como cumpridor de suas promessas, com o devido cuidado com os efeitos da pandemia.

Na saúde o desastre é ainda maior e, pra quem tem dúvidas, a CPI da Covid vai descortinar a flagrante incompetência do governo na área. Todos, até leigos, sabiam desde o início, que a vacina era, e é, a solução possível, e, ainda assim, o governo preferiu pagar pra ver. Corrijo; preferiu não pagar.

Apenas quem não correu atrás das informações acredita que as vacinas não foram compradas porque não estavam aprovadas. O formato das negociações foi universalizado, exceto para quem apostou nas pesquisas. O contrato de compra era muito mais uma opção; dinheiro só depois da devida aprovação pelos organismos da área. Como uma opção de compra na Bolsa; se ganha lugar na fila e se garante o valor da negociação, logo não comprar foi uma decisão política, desastrosa, por sinal.

Um general tomando vacina escondido mostra o caos generalizado da política negacionista do governo. Dispensa comentários assim como as aventuras da cloroquina e, mais recentes, do spray nasal de Israel.

Importante ressalvar que o governo, e a população, reclamam com razão do desvio de finalidade das verbas ocorridas nas esferas estaduais e municipais quando recursos do combate à covid foram utilizados para ajustar caixas e, em alguns casos, dinheiro desviado para corrupção. Faltou amarração na legislação no ato da cessão dos recursos e, sinceramente, não sei quem falhou nisto.

Alguns setores importantes do governo tem tido desempenho elogiável e nunca é demais fazer o registro. Infraestrutura e Agricultura, com ministr