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"Eu não ando e não falo, mas tenho sonhos e luto diariamente para realizá-los". Edvaldo

Por Ana Floripes - Professora







Edvaldo Alves Pereira, disse, em várias ocasiões, que nasceu para lutar contra as dificuldades impostas pela vida e “se o mundo fecha a porta, Deus abre outras”. Ele nunca deixou a esperança de lado, continuou lutando e sonhando.


No final do livro “As Diversas Fases de um Deficiente”, Edvaldo registrou a incerteza daquele momento...

“Concluído o Ensino Médio, o meu sonho era continuar os estudos, fazer a Faculdade de Letras, ser um escritor e também poeta, pois gosto muito de escrever poemas e acredito que é a melhor maneira de expressar nossos sentimentos.

No entanto, tive que parar de estudar porque os meus pais não me deixaram prosseguir. Eles acreditam que não compensa continuar estudando, que os estudos não valeriam de nada, nunca iria conseguir um emprego. Ingenuidade deles, pois não compreendem que eu não dependeria de um emprego, seria escritor e realizaria o meu sonho.

Outros motivos contribuíram para que eu não fizesse uma faculdade: o transporte, pois precisaria de um acompanhante para me levar do ônibus até a sala de aula. O meu pai não poderia me levar porque tem problema na coluna. Além disso, ele não queria deixar a minha mãe sozinha em casa até a meia-noite e, também, os meus pais achavam que eu não conseguiria fazer todas as tarefas e trabalhos da faculdade, tendo que ficar muitas horas por dia diante do computador, podendo me prejudicar. Assim, concluíram que seria melhor eu não estudar mais. Para não haver mais brigas entre nós, achei melhor desistir de tudo. Porém, continuo acreditando que eu conseguiria vencer mais este desafio porque confio em minha capacidade e na minha força de vontade.

O fato é que não deu ainda para realizar meu sonho. Fazer o quê? O negócio mesmo é me contentar com a formatura do Ensino Médio, a qual significou muito para mim. Significou a conquista do respeito de muitas pessoas e também orgulho de ter sido o primeiro aluno com deficiência (sequelas de paralisia cerebral) da região a frequentar e concluir o Ensino Médio. Considero-me um vencedor, porém, em contrapartida, sinto um vazio por não poder estudar mais.


No entanto devemos olhar o lado bom das coisas, uma vez que, após a formatura, quando estou sentado em minha cadeira de rodas em frente à calçada da rua, muitas pessoas passaram a me cumprimentar respeitosamente, conversar comigo, ficar ao meu lado”.


Edvaldo sempre lutou para realizar seus sonhos. E um deles, era conseguir fazer uma faculdade, principalmente depois que terminou seus estudos no Ensino Médio. No entanto, esse sonho parecia ser impossível, pois no município de Jussara não há faculdade. E sua ida para a cidade mais próxima, Cianorte, dependeria da boa vontade de terceiros para colocá-lo e tirá-lo do ônibus, bem como levá-lo até a sala de aula, ao banheiro, etc. Descartada esta possibilidade, o sonho ficaria para trás, procuraria fazer outras coisas.


Quando Edvaldo nem pensava mais nessa possibilidade, houve uma informação de que a Secretaria Municipal de Educação de Jussara estava fazendo uma lista de interessados em cursar a Faculdade de Pedagogia à distância. Sem hesitar, Edvaldo pediu à sua mãe para colocar seu nome nesta lista.


Passados alguns meses, no momento da inscrição para o Vestibular, Edvaldo relatou que não iria mais fazê-lo, porque ficara sabendo que o curso seria ministrado em Cianorte, duas vezes por semana, o que se tornaria inviável para ele, pelas dificuldades já relatadas.


Tendo conhecimento deste fato novo, a Psicóloga da Escola de Educação Especial Vamos Caminhar Juntos, Franciele Rosana Almeida Reki Panaino, juntamente com a Professora Sonia Maria Peteck Moro (ele a considera como um anjo) foram até a casa de Edvaldo. Chegando lá, a mãe de Edvaldo, dona Luzia, disse que ele não iria mais fazer a inscrição para o Vestibular. Isto o deixou triste e desanimado. Entretanto, a psicóloga e a professora, tanto argumentaram que Edvaldo aceitou fazer inscrição. Elas o incentivaram a tentar, pois se àquela situação mudasse futuramente, ele poderia se arrepender de não ter realizado sua inscrição.


Edvaldo ao final do ano de 2005, concorreu a uma vaga do Vestibular na Faculdade à distância do Curso de Pedagogia, sob Coordenação da UEM – Universidade Estadual de Maringá. Para realização da prova objetiva e da redação, Edvaldo contou com o auxílio de uma professora especialista da UEM. Na divulgação da lista de classificados foi surpresa para muitas pessoas, já que lá estava o nome de Edvaldo. Sua classificação foi surpreendente com uma nota igual a 99. Sua redação obteve valor de 39 pontos e na prova objetiva 60 pontos – aprovado na classificação regional geral, em octogésimo lugar de Cianorte, no qual participaram 2100 alunos.


Diante deste resultado, a sua família junto aos governantes de Jussara, se mobilizaram e o curso de Pedagogia que seria realizado em Cianorte, funcionou em Jussara. No ano de 2008, ele terminou o Curso Superior. A sua mãe o acompanhou o tempo todo. Ela participou de todas etapas para chegar à formatura. A meu ver, estaria apta para receber o certificado também.


No dia 31/01/2009, às 20h, no Centro de Eventos de Cianorte, Edvaldo participou da Cerimônia de Colação de Grau do Curso Normal Superior, promovida pela Universidade Estadual de Maringá – Câmpus Regional de Cianorte.





A maioria das pessoas luta por motivos variados como ganhar dinheiro, ter fama e sucesso. Edvaldo não. Ele luta para ser ouvido, falar, caminhar, por um mundo mais justo, principalmente para as pessoas excluídas e discriminadas pela sociedade.


Edvaldo, recentemente, produziu um vídeo com o apoio de nosso amigo em comum, Nardélio Fernandes Luz, escritor, que ficou tetraplégico ao realizar um mergulho em um rio há vários anos. O vídeo foi construído em virtude de nossa participação no pleito eleitoral e meu principal objetivo era apresentá-los à sociedade. E assim seguimos nossos planos.


"Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração..." Milton Nascimento








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