Emoção: reencontro com a base

Por Ana Floripes - Professora



Maycon e Matheus



Ontem foi um dia especial! Fui visitar duas das crianças que estavam no grupo, no passado, junto com as demais, responsáveis por mobilizarem toda minha força para enfrentar um Sistema muito frio. Mas, quem é esse Sistema? Somos nós, pessoas consideradas de “bem”. Foram anos de muito enfrentamento e solidão. Naquela época, Maycon, quando me via, sorria, corria, pulava em meu colo, abraçava forte meu pescoço e me beijava. Sim! Dois irmãos gêmeos. Não falam (verbalmente): Autismo.


Pois bem, hoje eles têm 18 anos. No momento em que estacionei meu carro próximo ao portão o coração batia descompassado e muitas imagens passaram pela minha cabeça: “Será que me reconhecerão?” Fui recepcionada pela mãe deles, dia de seu aniversário.


Então me aproximei lentamente, como fazia no passado. Eu me abaixei e de longe o chamava, perguntei: “Maycon, sou a professora Ana Floripes. Lembra-se de mim, meu amor?” Ele começou a me olhar e a balançar o corpo, ligeiramente. Continuei: “Você se lembra de quando corria e me abraçava?” Ele começou a me olhar mais ainda e abriu aquele sorriso lindo. O mesmo da infância. Só que dessa vez não pude me aproximar por causa da pandemia.


Eu levei os alimentos que eles gostavam. Enquanto ia embora, Maycon me olhava atentamente e comia. No carro, a emoção explodiu e chorei, mas foi um choro de felicidade, pois ele me RECONHECEU, após uma década.


Quem cuida deles e com muito Amor, é a mãe!


Obs.: eu acompanho de perto a luta das famílias com filhos no espectro do Autismo há 30 anos. Antes com outros diagnósticos.