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Eleições 2020: o preço da visibilidade e invisibilidade

Atualizado: Jan 18

Por Ana Floripes Berbert - Professora



Gratidão pelos ensinamentos, pai!




Na minha infância e adolescência, participava indiretamente, dos diálogos que ocorriam na sala de minha casa. Meu saudoso pai Nilton Berbert (In memorian), foi professor por trinta anos e vereador na cidade de Japurá- Pr, por mais de uma década. Lembro-me de ter conversado assuntos sobre Políticas Públicas com alguns de nossos visitantes, entre eles: Francisco Escorsin (In memoriam) e o Professor José Tadeu Bento, ambos foram deputados, com discursos e ações importantes a partir do tema “Justiça”, ou seja, como tornar justo aquilo que seria injusto, tendo por base suas experiências cotidianas e acadêmicas. Às vezes, meu pai dizia: “Aninha, hoje a visita será rápida, não venha na sala fazer perguntas.”Nesses dias, mesmo assim, dava um jeito, levava o café e mantinha a escuta sempre em ação.


Assim que a Constituição Cidadã foi promulgada em cinco de outubro de 1988, recebi um exemplar de meu pai e ainda a tenho. Naquele tempo eu a lia com paixão, porque em meu pensamento, ela assegurava a liberdade de pensamento e criava mecanismos para evitar abusos de poder do Estado.


Com o passar do tempo foi construído o discurso da fragilidade da legislação e que as leis deveriam ser mais severas quanto à impunidade. Contudo, o que adianta ter leis mais severas se temos um endêmico problema estrutural? Meu pai também foi meu professor na terceira série e minha mãe, na segunda.


Tive lições com meu pai a respeito do processo eleitoral e após os mesmos, lembro-me dele escrevendo decretos legislativos, pareceres, requerimentos, indicações e aprovando ou rejeitando projetos de leis. Ele nunca faltava às reuniões da Câmara Municipal. Mas também, presenciei situações positivas e negativas, essas causavam-me muita indignação, por exemplo: quando rejeitava alguns projetos do Executivo por motivos pertinentes que afetariam a coletividade, era perseguido e dificultavam seu trabalho, inclusive recordo-me até o momento que minha irmã foi alvo de perseguições.


Meu pai era bondoso, quase 23 anos se passaram após sua partida e é comum encontrarmos pessoas que falam de suas obras e muitas sentem gratidão. Ele faleceu no dia 10 de março de 1998, com 59 anos, teve um infarto fulminante. Ele amava rosas, então durante muitos anos as plantamos ao redor de seu túmulo, mas não vencíamos, as pessoas levavam as mudas e enfraqueciam as roseiras. Houve um dia que ao chegar lá encontramos uma senhora cortando, assim que nos viu, disse: “Eu pedi para o Sr. Miltinho. Ele deixou.” Embora aquela ação nos entristecia, todavia era possível mesmo que ele deixaria, pois em vida, ajudava muitas pessoas, compartilhava com facilidade.


Em 17 de junho de 1998, por meio do Projeto de Resolução, de autoria do Vereador José Pirola, a Câmara Municipal de Japurá ficou denominada “Plenário Vereador Nilton Berbert”.


O relato acima exposto é apenas uma introdução do assunto sobre a minha experiência no pleito eleitoral de 2020 em Cianorte. Há anos perguntam-me o motivo de não entrar na vida política do Município. Sempre respondia que não seria necessário, porque fazemos política o tempo todo e temos exemplos da areia movediça que é a politicagem em nosso País. Durante alguns anos apresentei demandas reprimidas tanto ao Executivo quanto ao Legislativo de Cianorte. Confesso que é muito cansativo implorar para que as recebam. Deveria ser o contrário. Da última vez, a luta chegou ao Ministério Público. Trata-se de uma caminhada solitária. Muitas pessoas que ocupam cargos políticos, não se envolvem, porque cada qual cuida de bajular àqueles que são responsáveis por as deixarem em situações cômodas e a cada eleição mudam seus apoios por interesses particulares. Outras ainda, sentem medo. Enfim, muitas são reféns do ego e de seus interesses particulares... Há também pessoas com interesses de ordem coletiva, que se acovardam e terceirizam suas causas.


Após muita insistência e com objetivos coletivos, aceitei participar da experiência, principalmente, para viver um pouco nos bastidores da “política” municipal. Na primeira etapa escutamos muito a população, estudamos a Lei Orçamentária e escrevemos o Plano de Governo. Essa foi a melhor parte do trabalho.


Na segunda etapa, a convenção, há o assédio com o objetivo de união com a finalidade de “derrubar” algum outro grupo e não somarmos ações derivadas ao referido Plano. Nós não aceitam