Ei, PESSOAL, VAMOS TOMAR CUIDADO COM O PLURAL!

Por: Redação BN

A frase que dá título ao texto foi pronunciada pelo meu filho que tem autismo (TEA) numa aula remota pelo Google Sala de Aula.


Nathan tem oito anos de idade, é gêmeo do Matteo e aprendeu a ler e escrever sozinho com pouco mais de dois anos e meio, quando também começou a falar. Interessou-se muito cedo por letras e números e fez progressão de classe (um dos direitos previstos em lei), iniciando o ensino fundamental diretamente no segundo ano. Hoje ele cursa o quarto ano, enquanto o Matteo cursa o terceiro.


Estamos vivendo a experiência forçada das aulas em ambiente virtual, mas ele está perfeitamente adaptado, interage muito bem e até se dá o luxo de interromper os professores para contar piadas, bem como para corrigir os erros de português que constam do material didático disponibilizado.


Fomos impactados pelo TEA desde os primeiros sinais que o Nathan apresentou. Somos, a todo instante, despertados para reflexões que antes eram intangíveis. A cada atitude sua, somos levados a repensar tudo o que aprendemos e a rever constantemente muitas daquelas convicções que pareciam inabaláveis.


Não obstante, o que mais nos inquieta no autismo dele, dentre tantas dúvidas, é a certeza cristalina de que cada ser é um universo à parte e como tal deve ser tratado.


Há poucos dias, nessa aula referida acima, havia um texto sobre as Olimpíadas de Tókio e nele uma frase que dizia mais ou menos assim: “...as 05 modalidade...”. Assim que apareceu na tela, imediatamente o Nathan pediu licença para o professor e chamou a atenção para o erro, dizendo que “modalidade”, nesse caso, deveria ser grafada no plural e arrematou: - ei, pessoal, vamos tomar cuidado com o plural!


Ele sempre foi muito rígido com a escrita e com a pronúncia correta das palavras. A correção que ele fez tinha a ver com um erro de português que, aliás, é bastante comum no material disponibilizado, pasmem! MEC e SEDUC/RS com a palavra. No entanto, ocorreu-me que a frase pode ser usada para corrigir muitos outros erros que cometemos no dia a dia quando tratamos de crianças, sejam elas com TEA ou outro tipo de deficiência; ou mesmo as neurotípicas: talvez o Nathan e muitas outras crianças (de forma verbal ou não) estejam apenas achando uma forma de nos dizer: - ei, tomem cuidado (respeitem) com as nossas diferenças!


O autismo pode ser leve (antigamente, em alguns casos, também conhecido como síndrome de Asperger), moderado ou severo. Temos subclassificações como: altas habilidades, de alto funcionamento, super dotação, etc. Essas classificações e subclassificações servem única e exclusivamente para definir a melhor estratégia de intervenção, mas nunca para a prática recorrente do capacitismo.


A despeito das nomenclaturas e dos rótulos, o que nós precisamos é de profissionais (todos os que compõem o sistema de ensino), bem como de pais e sociedade em geral, devidamente capacitados para identificar as necessidades de cada um, os pontos mais vulneráveis a serem trabalhados e, acima de tudo, é preciso que tenhamos a perspicácia para observar o cuidado necessário para não atrapalhar o desenvolvimento naqueles pontos em que a criança já traz consigo um aprendizado adquirido por seus métodos próprios e por um conhecimento, ou modo de observar e aprender, inatos (ainda não explicados pelas ciências ortodoxas).


Penso que o maior desafio dos pais, da escola, do poder público e da sociedade, em relação à educação e o ensino, na condução da criança para a vida adulta, seja o de identificar o seu potencial e per