E o dia seguinte?

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


O Brasil se divide em relação ao próximo 7 de setembro; uma parcela considerável se mobiliza para ir às ruas, principalmente em Brasília e São Paulo, e os demais assistem como preocupação a escalada de confronto entre os poderes.

Mas, com um pouco de ousadia, já podemos prever o day after.

Tomemos as duas hipóteses mais prováveis; milhares de pessoas nas ruas ou uma manifestação significativa mas não convincente, quais as consequências?

Analiso inicialmente a hipótese mais provável; o Eixo Monumental e a Paulista em São Paulo lotados, talvez o número gigantesco de 3 milhões de pessoas nas ruas, talvez cinco ou seis milhões com as demais manifestações em outras cidades.

Certamente, o presidente se fortalece e aumenta substancialmente seu cacife eleitoral para 22 e pressiona os eleitores para a polarização já claramente colocada contra a esquerda, anestesiando a hipótese de terceira via.

Vai derrubar ministro do STF? Não.

Vai encaminhar golpe? Não.

Vai alterar a correlação de forças? Não.

O efeito será eminentemente eleitoral e, neste sentido, será realmente significativo.

Mas se as manifestações forem fracas? Começo dizendo que esta hipótese é muito remota. Estou certo que serão gigantescas mas podem ser confrontadas por manifestações de igual envergadura no dia 12, equilibrando o jogo. Mas, rigorosamente, nenhuma das hipóteses altera as regras do jogo.

Vence quem tiver mais votos!

Não tem grito, não tem voto impresso, não tem golpe mas teremos eleições democráticas.

A direita sairá fortalecida, algo entre 20 e 25% dos brasileiros e a esquerda de Lula, inflada pela rejeição de Jair, continuará na faixa de 35% até que a terceira via, ou as várias tentativas para isto, a enxuguem para faixa similar à de Bolsonaro. Apenas a contração de opções, improváveis, impede o clássico eleitoral em jogos de ida e volta, dois turnos de mata mata eleitoral.

O jogo será em 22! Este é o problema porque ninguém mais faz nada, só pensando nesta disputa e o país, patinando em muitos aspectos, precisa de carinho e atenção, se preferir, leia projetos e planos de longo prazo.

Seja a ou b, direita ou esquerda, ou ainda qualquer outra opção, precisamos vencer a mediocridade desta disputa que ilude ao deixar em segundo plano as verdadeiras prioridades do Brasil.

Já passou da hora de uma reforma introduzindo mecanismos de defesa para a administração pública, alguma versão de parlamentarismo ou presidencialismo misto, que permita que pessoas competentes cuidem de cada setor da vida nacional, devidamente monitorados pelos números e pelo Congresso.

Com estas alterações, nossos políticos poderão continuar brincando eternamente de disputar eleições sem prejuízo para a população.