Do Éden ao Leviatã: Síntese da Desigualdade Humana e Fases do Capital


“Era uma vez” há uns 15 mil anos Eva e Adão, moravam em um paraíso e usavam como sistema de vida o nomadismo, coletavam frutas, pescavam, buscavam abrigos, descobriram a agricultura, domesticaram animais, daí iniciaram o sedentarismo. Tiveram filhos, a família cresceu, se multiplicou, a caverna ficou pequena e necessitaram de mais abrigos próximos da lavoura e animais domésticos, então surgem as aldeias, vilarejos, cidades (J. J. Rousseau 1755).

Com tantas pessoas, agora sem distinção dos graus de parentescos, surgem as diferenças e as especializações, origem das hierarquias, linguagens faladas, escritas rupestres, cuneiformes, alfabetos, algarismos, papiros, escambos, moedas, dinheiro, trabalhos, acumulações diversas, lucro. Primeiras grandes cidades, feudalismo, capitalismo mercantilista, expansão territorial, divergências de moral, grandes navegações, mundialização, escravização de povos, expansão das monarquias, oligarquias, dinastias, das riquezas e a pobreza… Já estamos em 1600.

Com a invenção das máquinas em 1750 na I Revolução Industrial, nasce o capitalismo industrial, a globalização, corrida por matéria-prima, desmatamentos, mineração, devastação, extinções… labuta de homens, crianças, mulheres, fim da escravidão, mais-valia manufaturada, mais-valia mecânica, mais-valia internacional, trabalhadores suando, sofrendo e morrendo em jornadas de 18 horas, crianças sem escola, protestos, comoção, organização, sindicatos, negociações, Justiças. Acordos para jornadas de 12h, 10h, 8h, diárias, das jornadas de 50h, 45h, 40h semanais, mais sindicatos, mais protestos, aumento dos salários e garantia de lucro… Já deu 1900.

Os bancos e empresas financeiras amadurecem, se reproduzem e expandem o capitalismo financeiro. Na década de 1970, com a informática e internet vem a Revolução Técnico-científico informacional, expandem-se as bolsas de valores, surgem mais sindicatos, protestos, fim das monarquias, fim das oligarquias, fim do clientelismo. Os operários agora escolarizados com acesso a rádios, TVs e jornais sonham em ter um deles entre os políticos. Homens e mulheres das classes CdEfGhIj... inconformados com a exploração, injustiças e desigualdades abissais falam, discursam, organizam, cativam, concorrem, se elegem, propõem reformas, aprovam Leis… Podemos dizer que estamos no início dos anos 2000.

Cada conquista cidadã como descanso semanal remunerado, férias, 13° salário, hora extra, periculosidade, insalubridade, etc. são negociados, batalhados, passam por greves, boicotes, censuras, prisões, conflitos… até que o “Leviatã” (T. Hobbes 1651) cede alguns “meios-termos” aos cidadãos comuns desde que não reduzam a reprodução e expansão da magia do capital… e daí chega a Pandemia 2020…

Como tudo é interdependente e desenvolve-se gradativamente, apesar de listar alguns eventos pontuais, todos são “pontas de icebergs”. Desde a pré-história com a origem das civilizações temos o capital que cresceu, se multiplicou exponencialmente e agora no início do século XXI desacelerou, estagnou ou está encolhendo. Seja pelos históricos e irrisórios avanços sociais dos últimos 3 séculos ou pela crise da pandemia, o capital precisa se reformar para se multiplicar, garantir crescimento dos lucros e dividendos. Assim, além das tecnologias de gestão e produção, as novas fronteiras do capital são as florestas, oceanos, montanhas e subsolos. Daí entram reformas políticas como a automação, informatização, “uberização”, terceirização, congelamentos, desmatamentos, etc. Tudo a favorecer o capital. E o cidadão comum deve esperar e agradecer a mão invisível (Adam Smith 1759)? Não!

Não podemos deixar queimadas, perfurações e minerações agirem sem controle. Há que se desenvolver o capital, mas sem perder a sustentabilidade econômica, ambiental e social, há que se preservar a humanidade. Os jovens, adultos e idosos, sejam estudantes, trabalhadores ou investidores, cidadãos em geral, precisam da Educação para desenvolver este olhar sistêmico e transversal incorporando em sua epistemologia a práxis histórico-crítica para entender as correntes que os cercam (Rosa Luxemburgo) e as possibilidades de agir com a Imaginação Sociológica (Wright Mills 1959). Devem tomar consciência, enxergar as artimanhas quase secretas dos líderes ocultos disfarçados de empresas ou políticos e seus interesses familiares ou econômicos, para então propor a tempo, um contrapeso ou resistência.

Como diz o sociólogo estadunidense Avram Noam Chomsky “a maioria da população não sabe o que está acontecendo, e eles sequer sabem que não sabem”, corroborando o Geógrafo brasileiro Milton Santos: "a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos, quando apenas conseguem enxergar o que os separa, não o que os une". Logo, não podemos esperar e agradecer que a mão invisível do Leviatã seja uma coincidência histórica do progresso. Precisamos Pensar, Agir, Reagir, Antecipar e Reorganizar os processos históricos, econômicos e sociais, evitando a exploração inconsequente e efetivando a sustentabilidade, pois mesmo na natureza selvagem há equilíbrio, já na sociedade ... Não há Justiça nem Dignidade com tamanha Desigualdade.

Precisamos do progresso humanizado e com dignidade. Aos que exploram o capitalismo para multiplicar riqueza, doa a quem doer, sofra quem sofrer, queime ou devaste o que quiser, temos declarados como adversários. Podemos conviver, nos respeitar, dialogar e até nos Amar, mas não terão nosso silêncio ou auxílio e sim nossa voz, ação democrática, pacífica e ativa de contraposição visando justiça, dignidade, fim da desigualdade e sustentabilidade.

É a gangorra histórica da busca do Progresso na Civilização. É busca de Justiça, Solidariedade, Comiseração, Sustentabilidade e Humanidade! Somos sonhadores que realizam!

@profsta #profsta

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