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"Diário de uma garota que tem muito a nos ensinar"

Atualizado: Fev 6


Fonte: Blog "Síndrome de Asperger diagnosticada na idade adulta: o mundo e a vida pelo meus olhos". Palloma Gimenes.


Por Ana Floripes - Professora





Ontem, 01 de fevereiro, na reunião da Câmara Municipal de Cianorte-PR, foi realizada a indicação de um Centro de Referência, para atender pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista e seus familiares. Todavia, sabemos dos caminhos difíceis para se chegar ao diagnóstico. Ademais, temos clareza de que o compromisso, responsabilidade e competência da equipe gestora do município não medirá esforços para torná-lo realidade.

A meu ver, esse será um marco importante para medirmos o nível de humanidade que nos encontramos: Direitos Humanos.


O objetivo de apresentar os depoimentos abaixo, a respeito do tema Autismo, é para a sociedade ter a noção do quanto precisamos avançar em termos de Políticas Públicas e na divulgação de conhecimento científico.



"Tenho observado algumas postagens sobre a busca incansável de um laudo e as possibilidades de melhorias que podem vir com o mesmo. Bem, eu já havia comentado em um dos últimos posts que finalmente estaria indo a um médico para iniciar a busca pelo meu e, venho hoje contar como foi essa primeira experiência.


Na teoria, parece simples e rápido encontrar um bom especialista, dizer como se sente, contar suas manias, paranoias, tiques e falar sobre as crises e outros comportamentos e, enfim pegar em mãos o tão sonhado laudo, apresentá-lo para o mundo e pronto, uma nova vida, mais leve e feliz! Entretanto, na prática as coisas nem sempre caminham assim tão bem. Se você é Asperger adulto, provavelmente algo em especifico lhe foi o gatilho para querer buscar tal diagnóstico. No meu caso, foi a mudança de rotina (trabalho, casa) e a falta de um tempo certo para descansar e recarregar minhas energias que me influenciou, pois comecei a ter muitos shutdowns e outras crises.


De primeiro momento, precisei ir a um clínico geral e tentei explicar da forma mais objetiva possível, ele me prescreveu ansiolíticos e me pediu para tentar um psicólogo. Marquei o tal psicólogo e, dois dias antes da consulta fiquei tão nervosa que nem mesmo os remédios me relaxavam. Eu nunca fui muito boa em falar pessoalmente, então isso começou a me apavorar e, sempre tem uma certa pressão das pessoas de fora. Decidi escrever uma carta que totalizou três folhas, me expressando da melhor forma que eu podia. Nunca me sinto tão transparente do que quando escrevo ao invés de falar. Levaria essa carta para o doutor e se ele quisesse conversar sobre o que estava ali e me fazer perguntas, eu já estaria menos tensa e mais confortável.


Após as apresentações, ele não quis ler minha carta. A jogou pra debaixo de uns papeis sobre a mesa e disse que o ideal era que conversássemos. Como eu já estava ali e precisava estar, eu tentei e até que fui bem. Consegui falar tudo o que eu queria, talvez tenha ficado um pouco confuso, o que já seria esperado no espectro, mas daria pra ver que havia realmente algo acontecendo. E mesmo eu contando sobre as crises e que havia cogitado a tentativa de me matar recentemente, tudo o que ouvi foi que eu não tinha nada. Nem mesmo uma depressão. Ele me disse que sou uma garota comum e normal e no máximo filha de uma geração que não aprendeu a socializar.