Decreto Federal 10.502/2020: revisitando o passado

Atualizado: Ago 29

Por Ana Floripes - Professora



Educação inclusiva: a necessidade de um diálogo orientado para avanços - fonte

https://diversa.org.br/artigos/educacao-inclusiva-dialogo-para-avancos/



“A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele. É, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, preparando-as, em vez disso, com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum.” Hannah Arendt



“Eu acompanhei muitas mudanças, pois comecei a trabalhar em escola no ano de 1986, e grandes conquistas foram alcançadas. Exemplos: antes os estudantes eram separados mesmo frequentando o mesmo espaço escolar como: Sala dos surdos (DA), Sala de Deficientes Mentais (DM), Sala de Deficientes Visuais (DV) e Sala de Deficientes Físicos (DF). Eles ficavam todo o período em sala, sem interagir com os outros alunos, pois eram considerados problemas e devido a deficiência não podiam se misturar com os outros, pois achavam que ninguém os entenderiam. Até o horário do recreio era separado. Com início da inclusão escolar por volta de 1998/99, os alunos foram matriculados em sala de aula regular e os professores não estavam preparados para recebê-los porque não tinham sido capacitados, foi muito difícil para os estudantes e professores. Este ano faz 31 anos que acompanho, houve muitas mudanças e posso dizer que não conseguimos mais classificar o estudante com deficiência, pois aqui no Colégio os alunos convivem juntos, sem nenhum problema. Após anos de trabalho, o respeito tem prevalecido. Eu trabalho na cantina do colégio e procuro acompanhar cada um desses estudantes, em especial, tenho contato com o Bruno, com o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), antes ele tinha medo de tudo, mas hoje é meu orgulho, sempre conversa comigo, é carinhoso e respeitoso. Outra é a Maria Clara, com diagnóstico de síndrome de Down, doce menina, todos os dias vem me ver e dar um abraço. Amo receber esse carinho tão verdadeiro. (Zélia Pedro Theodoro - Agente Educacional I - 2016)


“Sou funcionária pública estadual há 26 anos. Trabalhei numa escola durante alguns anos e observei que havia uma turma de estudantes ao qual chamávamos de “deficientes mentais”. Eles estudavam em uma sala que ficava no porão da escola e tinha somente uma professora que os atendiam. Ficavam totalmente separados dos outros estudantes chamados de “normais”. Não tínhamos muito acesso a eles e nosso conhecimento era do senso comum, sabíamos apenas, erroneamente, que tinham alguma “doença mental”. Depois de alguns anos essa sala foi desativada. Hoje trabalho num colégio onde temos estudantes com deficiência, altas habilidades e transtornos globais do desenvolvimento, termo este que aprendi com a professora Ana Floripes. Temos alunos com diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), altas habilidades, síndrome de Down, deficiência física neuromotora e física. Vejo o empenho da referida professora para que a inclusão aconteça de verdade, ou seja, que atenda às necessidades pedagógicas de todos os estudantes. Observo que o Colégio como um todo abraça a causa da inclusão escolar. O nosso primeiro estudante com TEA que recebemos está tendo um desenvolvimento espetacular. Antes não falava com ninguém e hoje até o interfone do colégio ele quer atender. Enfim, na história vejo que antes eles eram tratados como seres “anormais”, os quais ofereciam perigo e, de certa forma, eram discriminados pela maioria, inclusive por professores, funcionários e estudantes. Hoje o tratamento é de amor, compreensão e com os resultados a admiração é grande, mesmo nas suas limitações conseguem mostrar que estão na escola para aprender e ensinar também, mas de acordo com sua maneira de ser. O bom também é que as potencialidades dos mesmos são divulgadas. A cada dia que passa tenho aprendido com eles. Que pena, anos atrás tínhamos uma mentalidade tão equivocada sobre esse conhecimento”. (Eliane Brazoloto – Agente Educacional II - 2016)