Dadá é apenas um ícone da velha política que ninguém mais aceita.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


A Câmara, naturalmente, é um casa política e, por isso, esta leitura prevaleceu inclusive porque a manifestação da sociedade foi inequívoca; se exigia a cassação do vereador como um recado a todos os políticos que os tempos são outros.

Jamais ousaria condenar os que, por necessidade, recorrem aos vereadores em busca de pequenas indulgências (receitas, consultas e pequenos favores do poder público) além de vantagens financeiras (desde cestas básicas à contas de luz ou água). Errado são os agentes políticos que alimentam esta cadeia. Corrijo; errado não, criminosos!

A nossa política tradicional se alicerçou na relação de troca entre todos os níveis. No município, entre vereadores e prefeitos e entre vereadores e eleitores. A matéria prima desta negociação todos nós conhecemos; diversos valores do serviço público, empregos e favores retirados da coletividade e entregues indevidamente para os apadrinhados.

Alguma possibilidade de um vereador entregar benesses públicas sem conivência do prefeito? Obviamente que não. Mas ocorreu, e ainda ocorre, impunemente em quase todos os municípios do Brasil.

A velha política é a expressão que desenha esta relação criminosa entre os agentes políticos.

Se alguém recebeu uma consulta de especialista, ou uma receita da farmácia, ou meio emprego público, cometeu crime assim como o agente político que o atendeu e os agentes políticos que o permitiram ou fingiram não enxergar.

É isto que se condenou hoje por 9x0.

Fundamental que se entenda o verdadeiro recado deste placar.

Dadá é apenas um ícone da velha política. Junto com ele, todos que o protegeram ou agiram como ele, também levaram um 9 a 0.

Cianorte grita bem alto que não mais tolera a velha política.

107 visualizações
banner_anuncie (1).png