BN_LOGO-removebg-preview(1).png
200.gif
amazongiftcard.jpg

COVID-19: a difícil tarefa de pensar e agir de forma coletiva

Atualizado: Mar 4

Por Ana Floripes - Professora



Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/03/02/fiocruz-pela-1a-vez-brasil-tem-piora-de-diversos-indicadores-da-pandemia.ghtml




Tudo que é desconhecido até conhecermos leva-se algum tempo, ainda mais quando trata-se de questões abstratas e invisíveis.


Um ano se passou e ainda estamos reféns do coronavírus. Então, buscamos em nossas memórias as frases mais utilizadas durante esse tempo: “Vamos falar dos números de curados”, “Agora todos morreremos por causa do coronavírus ou de fome?” “Estão enterrando caixões vazios”, “Inventaram esse vírus, é mentira”, “Não usem máscaras, de nada adianta”, “O vírus só pega durante o dia?”, ”É uma gripezinha”, “A culpa de não ter oxigênio é do governador!” “A culpa de não se ter a vacina é do presidente, que tem um comportamento desafiador”, “A pandemia está rendendo dinheiro para muitas pessoas, uma fábrica que alimenta a corrupção”, “A população não tem educação”, “Ah, vão fechar o espaço físico da escola, mas os transportes podem circular com pessoas aglomeradas. O professor é ‘vagabundo’, não quer trabalhar”, “No pleito eleitoral, o coronavírus deu uma trégua”, “Façam o tratamento preventivo”, “Sigam o protocolo da área da saúde”, “Entre as pessoas idosas e os jovens, poderiam vacinar os jovens, pois os idosos já viveram bastante”, “Se não nos cuidarmos o Sistema de Saúde entrará em colapso. Não podemos adoecer todos ao mesmo tempo” etc, etc..


Nesse intervalo, mesmo mostrando o sofrimento dos combatentes da linha de frente, os profissionais da área da saúde, pouca coisa mudou positivamente. Tenho a sensação de que não houve aprendizagem suficiente de março de 2020 a março de 2021. Tanto é que em março do ano passado, estávamos assistindo aos acontecimentos de outros países, parecia distante e agora estamos vivendo àquela triste experiência. Ou seja, nem os conteúdos mínimos sobre a higiene e distanciamento social não foram interiorizados, por muitas pessoas.


Já não é só Manaus, o Brasil inteiro encontra-se em crise sanitária e humanitária. Tanto é, que sobre o ocorrido no estado de Amazonas, já não falavam mais sobre o sofrimento das famílias, doentes e dos profissionais da educação. O foco era sobre politicagem: “Quem roubou, desviou dinheiro, estaria matando aquela população. Cobrem deles(a)”, era necessário condenar alguém primeiro para justificar algo injustificável, pois é necessário exaltar que somos sabedores de tudo. Ora, tinha que mostrar que para lutar contra o coronavírus, tem que ter lado: presidente ou governadores/prefeitos. Às vezes, tenho a sensação de estar num “inferno” construído pelos próprios humanos. Até esse momento, a “guerrinha” continua. Enquanto isso, pessoas se dividem, o coronavírus mostra sua força, por meio das variantes. Ontem o Brasil bateu recorde diário de mortes por COVID-19, com 1.726 óbitos.


É comum na escola trabalharmos conteúdo sobre a empatia. Nunca pensei que esse conteúdo estivesse em nível tão precário em nossa sociedade. Fomos colocados à prova. Basta olharmos para a realidade, temos sempre uma receita para passar para as demais pessoas, mas não somos nós que estamos na fila que tem setecentos seres humanos aguardando leitos hospitalares no Paraná. Se a morte, em plena pandemia, é extremamente sofrida, nem pense na despedida final no cemitério. Ela não acontece. Tudo diferente do que era habitual. É hora de aprendermos a ter empatia, e quem a tem, a aperfeiçoá-la, senão o nosso processo de humanização continuará no nível primitivo.


Se tivéssemos uma boa educação, nesse momento, não seria necessário mais desgaste, citarei um exemplo pontual, o da Secretaria de Defesa Social de Cianorte-PR, liderada pelo Tenente Coronel da Polícia Militar do PR, Elias de Souza, na fiscalização a respeito de cumprimento do Decreto Governamental. Não é mais questão de trabalho de prevenção, pois se durante um ano não foi possível aprender a se comportar no processo de pandemia e, diante do momento crítico, só restará mesmo a aplicação de leis mais rígidas. Minha mãe sempre diz: "Quem não aprende pelo amor, aprende pela dor." A COVID-19 é uma doença coletiva. Há quem cumpre as leis e orientações, rigorosamente. Nós pagaremos um preço caro por causa dos seres humanos que não as cumprem, tanto na questão relacionada ao trabalho que leva o sustento para dentro dos lares quanto aos riscos de contaminação e não conseguirmos vagas em hospitais.


Infelizmente, o que foi tanto avisado começou a acontecer: Sistema de Saúde entrando em colapso. São 257.361 brasileiros que perderam suas vidas por causa da contaminação. Entre eles, muitos conhecidos que se cuidaram, outros não tiveram nem tempo de descobrir a gravidade da situação, outros ainda podem ter desafiado a doença devido a inúmeras fake news e a polarização de interesses no campo da politicagem. Ademais, não podemos nos esquecer daqueles que, infelizmente, morreram no exercício do trabalho, os profissionais da saúde.


A meu ver, todas as vezes que terceirizamos responsabilidades, e não promovemos a união, temos a sensação de estarmos muito distante da humanização, e penso: “Até onde a natureza vai levar essa situação para algo que seja aprendido?” Já passou da hora do Presidente, Deputados, Senadores, Governadores, Prefeitos, Vereadores e a População se unirem. Essa cisão só produz malefícios. A desunião provoca no País um clima de instabilidade. Ademais, causa-nos um sentimento de desconfiança e os julgamentos, muitas vezes, precipitados, porque não temos a visão dos bastidores. É como se estivéssemos num barco à deriva e a Ciência comprova que o coronavírus mata e a politicagem também. Não existe dicotomia entre salvar vida e economia. Tudo se relaciona. Logo, não existe vida sem economia e vice-versa.


Por fim, segundo a Wikipédia, a “Pandemia é uma epidemia de doença infecciosa que se espalha entre a população localizada numa grande região geográfica como, por exemplo, todo o planeta Terra”. A culpa pode ser colocada no coronavírus, mas as nossas ações ou falta delas, contribuem muito para que a transmissão permaneça ou não, sem controle.



211859501_127144129544684_431378400865136191_n.jpg

Venha viver uma experiência em meio à natureza, no maior complexo de águas quentes do sul em um final de semana inesquecível com Bruno & Marrone e Guilherme & Santiago! Infos e Reservas @coralviagens ☎️ 44 - 3037-6353 📲 44 - 99900-5789 / 9994306355

banner_anuncie (1).png