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Comandantes militares colocam cargos à disposição e se negam a transformar Forças Armadas em milícia

Por: Plinio Teodoro - Forum


Na véspera do dia em que se completa 57 anos do golpe militar, comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica se reúnem com Braga Netto, da Defesa, para colocar cargos à disposição após demissão de Fernando Azevedo e Silva


Na véspera do dia em que se completa 57 do golpe militar, comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica devem colocar seus cargos à disposição por discordarem da tentativa de Jair Bolsonaro (Sem Partido) de transformar as Forças Armadas em uma milícia armada para uma potencial ditadura sob seu comando.


Após longa reunião, que terminou no final da noite desta segunda-feira (29), com o demissionário ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) resolveram agendar para a manhã desta terça-feira (30) um encontro com o novo titular da pasta, general Walter Braga Netto, para informar da decisão.


A cúpula militar quer acompanhar a demissão de Azevedo e Silva, que caiu após se recusar a colocar as Forças Armadas a serviço de um Estado de Sítio que Bolsonaro pretende instaurar para impedir, entre outros, que estados e municípios decretem lockdown.


O ápice da crise entre Bolsonaro e Azevedo ocorreu no dia 19 de março, quando o presidente falou a apoiadores que “meu Exército não vai pra rua para cumprir decreto de governador” e ameaçou com “ação dura”, falando em “estado de sítio”, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitasse a ação que ele moveu contra decretos de restrição na Bahia, DF e Rio Grande do Sul.


Em decisão pró-governadores quatro dias depois, o ministro Marco Aurélio Mello mandou recado para Bolsonaro: “Que a carapuça entre e haja uma correção de rumos”.

Milícia

Dos três comandantes das Forças Armadas, a saída mais certa é de Edson Pujol, que trava um embate com Bolsonaro desde que recusou, ainda no ano passado, um aperto de mão com o presidente, oferecendo o cotovelo, em um evento do comando militar.


Pujol encabeçou as tratativas com os comandantes da Marinha e Aeronáutica. Ao oferecer o cargo para Braga Netto, o comando militar quer deixar um claro recado a Bolsonaro: de que as Forças Armadas não se aceitarão ser usadas como uma milícia em uma possível tentativa de golpe para manter o ex-capitão do Exército.


Braga Netto conhece como poucos o clã Bolsonaro, especialmente por ter liderado a intervenção federal no Rio de Janeiro entre fevereiro de 2018 e janeiro de 2019 justamente por causa da influência de milicianos na estrutura da segurança pública no estado.

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