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Cinturão Verde: por fora bela viola, por dentro pão bolorento

Atualizado: Abr 18

Aida Franco de Lima – Professora. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial (UEPG - PR); Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais (SENAC - EMBRATUR);Técnica em Vestuário (CEEP - PR); escritora (Série: Guardador de Palavras da Gabi).


IMPORTANTE: Vale ressaltar que a tal pinguela foi retirada sim pela Prefeitura, porém, para quem tem dificuldade de interpretar um texto, é importante esclarecer que a ponte improvisada não é o único foco. E por isso o título: por fora o Parque tem uma aparência, mas por dentro, ele está comprometido pelo descaso de quem o gerenciou desde a sua criação em Lei. É urgente que a Lei seja levada em consideração e que o Parque tenha um gestor capacitado, concursado, para olhar unicamente para esse patrimônio natural e colocar em prática seu Plano Diretor.


O Parque Municipal do Cinturão Verde de Cianorte, que irá completar 21 anos no próximo dia 28, é uma Unidade de Conservação e, para tanto, há toda uma legislação que diz o que pode ou não ser feito em um local assim. Não é permitido criar galinha, jogar lixo, desovar ninhadas de cães e gatos e muito menos animais mortos, criar porcos, plantar café ou horta, abrir avenidas ou mesmo construir ‘pinguela’ para cortar caminho dentro do Cinturão Verde só porque alguém assim o deseja. Há leis que regem o Parque e as leis estão aí para que sejam respeitadas. “Ah, mas não pode fazer nada lá não?”. Pode sim. O Parque pode e deve ser ‘usado’ para preservação da floresta, inclusive seus leitos de água, e os animais; desenvolver pesquisas científicas e de educação. Qualquer intervenção dentro do Parque não pode ser feita na base da gambiarra e muito menos do ‘jeitinho brasileiro’. Porém, não é isso que tem ocorrido no Cinturão Verde, e nesse caso aqui citado, ambientado no módulo conhecido como Corujinha, conforme narra documento da Brigada Florestal.


Ponte ou 'pinguela' improvisada em trecho do Rio Corujinha (Foto: Divulgação)


O fato é que a atual administração da Prefeitura de Cianorte herdou um emaranhado de problemas e está com, mais, um ‘pepino’ para resolver, que nada mais é que fruto da negligência que foi reservada ao Parque Municipal do Cinturão Verde desde a sua criação. Trata-se de uma ‘pinguela’ construída ilegalmente nos limites do módulo Corujinha, utilizada por trabalhadores de duas empresas da região, que usam o local como atalho. “Segundo os funcionários da Brigada Florestal a mesma foi identificada no interior do Módulo Corujinha no final de novembro de 2020, e a mesma é utilizada por trabalhadores das empresas XXXXXXXXXX e, que moram nos bairros próximos. Segundo relato dos trabalhadores do Parque, no dia em que estavam realizando a capina algumas pessoas que passavam pelo local ameaçaram atear fogo no Parque se acaso retirassem a travessia utilizada por eles”, diz o documento.


Se o Parque tivesse sido cuidado como a Lei exige, com os recursos gerados pelo ICMS Ecológico originados justamente pela e para a preservação de nossa maior riqueza natural, jamais alguém teria tido acesso e muito menos construído passagem irregular na área. Somente em 2021 Cianorte arrecadou 2.888.954,24. E o que foi feito com esse dinheiro?


Vale lembrar que o ICMS Ecológico é condicionado à qualidade ambiental da Unidade de Conservação. O valor que o Município recebe é porque ele deixou de usar essa área em benefício da preservação. Então ele recebe uma compensação financeira, que está vinculada ao grau de preservação. E esse valor pode ser reduzido e até retirado, pois para receber esse valor, o Parque precisa ser cuidado e o que notamos é que ele está em estado de degradação. Na região do Corujinha a presença da floresta é vital. Pois ali estão os solos mais frágeis do Município. São os neossolos, solos novos, que a qualquer movimento de retirada dessa floresta nativa movimenta toda a área daqueles conjuntos habitacionais e eles podem ser engolidos por imensas voçorocas. (Nadir Leandro de Souza - Doutora em Geografia, pesquisadora com dez anos de estudos em torno do Cinturão Verde)

Lixo toma conta do entorno dos leitos de água que cortam o Parque (Foto: Divulgação)


EXEMPLO TEM QUE VIR DE CIMA

E nem é culpa da população que usa o local como atalho, pois o cidadão comum não tem obrigação de saber e nem sempre tem acesso às informações sobre o Parque. Na maioria das vezes, inclusive, o Parque é tido como um amontado de mato que atrasa o progresso, quase uma pedra no meio do caminho. Na verdade uma pedra bruta que só tem valor assim, porém, para muitos é preciso lapidá-la ou até mesmo meter fogo! A ausência de um programa efetivo de Educação Ambiental, junto aos moradores da região, nas indústrias do entorno, também reflete esse cenário.

Se ao longo dos anos tivesse sido realizado um trabalho contínuo de Educação Ambiental, com a população da região, para que compreendesse que o Parque proporciona qualidade de vida, que equilibra a temperatura, protege dos ventos, da erosão, preserva as nossas fontes de água, abriga animais e aves que controlam as denominadas pragas urbanas, entre outras incontáveis ações positivas, o Cinturão Verde não remeteria a um velho ditado popular: ‘por fora bela viola por dentro, pão bolorento’. O Cinturão Verde está embolorado não só por conta da pinguela do Corujinha, mas por causa das erosões, pela infestação de formigas cortadeiras, espécies exóticas e invasoras dentro de sua área e outras plantadas em seu redor, lixo, desmatamento, ausência de fiscalização, avenidas que ameaçam sua integridade entre outras questões. Aliás, se avenidas são legalizadas no Cinturão, se se constrói uma suposta biblioteca ecológica dentro da Unidade de Conservação, e para tanto é realizado o corte de inúmeras árvores, por quais cargas d'água o trabalhador vai compreender que uma ponte improvisada vai prejudicar o Parque?


Degradação é a marca do interior do Cinturão Verde (Foto: Divulgação)


E sabemos, o problema não é o Parque que está no meio do caminho e muito menos o cidadão que precisa chegar logo ao seu posto de trabalho pra garantir seu pão à mesa. O problema é que poucos conhecem e valorizam o papel da floresta, que não é descartável! A sociedade, a Câmara dos Vereadores, a Prefeitura de Cianorte, os órgãos de proteção ambiental, os empresários e a sociedade civil organizada como um todo precisam conhecer e aplicar as Leis que protegem o Cinturão. Ninguém ama o que não conhece. Ninguém respeita o que não valoriza. É vergonhoso e ao mesmo tempo triste, saber que nosso maior tesouro está sendo ameaçado, além de tudo, de ser incendiado caso uma pinguela não atravesse a viola embolorada.

Aos 21 anos, o Parque merece sim um presente, e o maior deles é o respeito à sua integridade. Educação Ambiental não é apenas distribuir mudinhas e divulgar fotos em datas simbólicas, é estimular a mudança de postura, incentivar o cuidado, a proteção, o pensamento nas gerações futuras. O Cinturão Verde, que tanto nos protege precisa ser abraçado pela comunidade, com urgência.


Erosão ameaça não 'somente' a mata, mas tudo a seu redor, inclusive moradias (Foto: Aida Franco de Lima)


Árvores que a gestão anterior derrubou, dentro do Cinturão Verde para construir 'biblioteca ecológica'. (Foto: Aida Franco de Lima)

Árvore saudável, enorme, derrubada para dar lugar para uma biblioteca construída em conteiners (Foto: Aida Franco de Lima)

Como que um trabalhador vai compreender que ele não pode usar uma pinguela se os órgãos que deveriam proteger o Cinturão Verde derrubam árvores dentro do Parque? (Foto: Aida Franco de Lima)


Depois de derrubar parte da mata, a gestão anterior inaugurou a tal 'biblioteca ecológica' e quem ignora a história de destruição que ficou para trás, ainda bate palmas (Foto: Divulgação)


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