Cinturão Verde: 21 anos de exemplo de como não administrar uma 'empresa'

Atualizado: Ago 19

Aida Franco de Lima – Professora universitária. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial (UEPG - PR); Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais (SENAC - EMBRATUR);Técnica em Vestuário (CEEP - PR); escritora (Série: Guardador de Palavras da Gabi).

Vídeo mostrando o local onde as árvores foram cortadas, em 2019, para que fosse construída uma biblioteca denominada, ecológica. (Vídeo: Aida Franco de Lima)


Se você fosse gerente de uma antiga, grande, lucrativa e importante empresa, que rendesse em torno de um milhão e meio por ano, mas que está com sua estrutura comprometida e tem em caixa 690 mil reais para investimentos, o que você faria? Mandaria pintar os muros do local e colocar uma escada rolante ou contrataria um especialista para analisar todos os aspectos e investir no que fosse prioritário? A maior ‘empresa’ de Cianorte está fazendo 21 anos, mas ela tem muito mais tempo que imaginamos, e conhecemos como Parque Municipal do Cinturão Verde. Fatura esse valor através do ICMS Ecológico e deve empregar uma grande quantidade de pessoas pois a maior parte desse valor vai em folha de pagamento e custeio de materiais de terceirizados. Porém, ao longo desses anos todos tem sido tratada como a bela viola a qual já me referi: Cinturão Verde: Por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Ou coisa para o marketing vender. "O Cinturão Verde faz um ótimo trabalho e por isso temos que cuidar mais da existência dele, pois além de proteger os animais ele protege também nossa vida", explica Pedro Otávio Mezavilla de Moraes, de 09 anos. Pedro, ensina o que muita gente grande não percebeu.


Em vez de investir 690 mil reais na estrutura do Parque, tomado por problemas, a gestão anterior preferiu fazer maquiagem! A peroba-rosa contornada de cimento e outra, ainda, ladeada por um mirante, retrata a falta de competência para administrar a ‘empresa’ que além de fazer circular uma alta quantia anualmente, proporciona dividendos não só à Cianorte, mas indiretamente às demais cidades interligadas pelo que conhecemos como ‘natureza’. Só faltou trocar o concreto por um porcelanato e pintar os troncos das árvores com cal.

“Ela vai ter maior dificuldade em obter água, além de impermeabilizar parte do solo, ainda tem a cobertura e provavelmente terá problemas em produzir frutos e sementes, com pessoas no alto, não deixando polinizadores chegarem. Ela pode sim sobreviver, mas não teria todo o potencial da espécie”, explica o biólogo Helio Fernando de Oliveira Jr, a respeito da citada peroba contornada por um mirante.

A BELA VIOLA

Acima e abaixo: Impermeabilização do solo, construção de mirante. Tudo adequado ao humano, menos à natureza. (Fotos: PMC)