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Cinturão Verde: 21 anos de exemplo de como não administrar uma 'empresa'

Aida Franco de Lima – Professora universitária. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial (UEPG - PR); Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais (SENAC - EMBRATUR);Técnica em Vestuário (CEEP - PR); escritora (Série: Guardador de Palavras da Gabi).

Vídeo mostrando o local onde as árvores foram cortadas, em 2019, para que fosse construída uma biblioteca denominada, ecológica. (Vídeo: Aida Franco de Lima)


Se você fosse gerente de uma antiga, grande, lucrativa e importante empresa, que rendesse em torno de um milhão e meio por ano, mas que está com sua estrutura comprometida e tem em caixa 690 mil reais para investimentos, o que você faria? Mandaria pintar os muros do local e colocar uma escada rolante ou contrataria um especialista para analisar todos os aspectos e investir no que fosse prioritário? A maior ‘empresa’ de Cianorte está fazendo 21 anos, mas ela tem muito mais tempo que imaginamos, e conhecemos como Parque Municipal do Cinturão Verde. Fatura esse valor através do ICMS Ecológico e deve empregar uma grande quantidade de pessoas pois a maior parte desse valor vai em folha de pagamento e custeio de materiais de terceirizados. Porém, ao longo desses anos todos tem sido tratada como a bela viola a qual já me referi: Cinturão Verde: Por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Ou coisa para o marketing vender. "O Cinturão Verde faz um ótimo trabalho e por isso temos que cuidar mais da existência dele, pois além de proteger os animais ele protege também nossa vida", explica Pedro Otávio Mezavilla de Moraes, de 09 anos. Pedro, ensina o que muita gente grande não percebeu.


Em vez de investir 690 mil reais na estrutura do Parque, tomado por problemas, a gestão anterior preferiu fazer maquiagem! A peroba-rosa contornada de cimento e outra, ainda, ladeada por um mirante, retrata a falta de competência para administrar a ‘empresa’ que além de fazer circular uma alta quantia anualmente, proporciona dividendos não só à Cianorte, mas indiretamente às demais cidades interligadas pelo que conhecemos como ‘natureza’. Só faltou trocar o concreto por um porcelanato e pintar os troncos das árvores com cal.

“Ela vai ter maior dificuldade em obter água, além de impermeabilizar parte do solo, ainda tem a cobertura e provavelmente terá problemas em produzir frutos e sementes, com pessoas no alto, não deixando polinizadores chegarem. Ela pode sim sobreviver, mas não teria todo o potencial da espécie”, explica o biólogo Helio Fernando de Oliveira Jr, a respeito da citada peroba contornada por um mirante.

A BELA VIOLA

Acima e abaixo: Impermeabilização do solo, construção de mirante. Tudo adequado ao humano, menos à natureza. (Fotos: PMC)



O local que era um trecho da mata do Cinturão Verde recebeu inclusive uma palmeira, espécie exótica que não deve ser plantada em Unidade de Conservação (Foto:PMC)


O PÃO BOLORENTO


Conteiners marítimos em terreno que era tomado por árvore deu lugar a uma biblioteca com fins 'ecológicos' (Foto: César Kasuo)


O Parque Municipal do Cinturão Verde de Cianorte vem sendo tratado por pessoas que preferem ‘pintar o muro’ que conhecer a sua estrutura. Para quem não sabe, essas perobas estão dentro do Parque, na região do Rio Fantasminha, na ‘esquina’ que dá acesso ao Conjunto Atlântico, no local onde foi erguida uma "Biblioteca (ANTI) Ecológica". Mas isso não se resume a uma obra que gerou o corte de inúmeras árvores e é motivo de Notícia de Fato no Ministério Público do Paraná (nº MPPR-0036.20.000906-0) e totalizou 690 mil reais. Vai além.


O tapume foi colocado tão logo as árvores começaram a ser derrubadas (Fotos: Aida Franco de Lima)



Quem passa no local nota uma armação formada por conteiners marítimos coloridos, o que destoa com as características da floresta e remete ao estilo industrial. Importante destacar que no local, na verdade, tudo destoa. Pois, como já foi mostrado aqui, a área é trecho da Unidade de Conservação que foi desmatada, para instalar ali as peças metálicas, orçadas em 535.590,00, que também desconversa completamente com o mirante, construído com madeira de eucalipto, orçado em 50 mil reais, conforme Ata 203 do Conselho do Meio Ambiente de Cianorte, 21 de Março de 2019.



Cenário de destruição para dar lugar a uma biblioteca supostamente ecológica

Árvores jovens foram cortadas, se preservadas em poucos anos estariam recompondo a mata

Um banquinho à sombra mostra a importância da árvore, para dar fôlego e o trabalhador seguir com o corte

Ao fundo nota-se o tapume, que tenta esconder o dano visível dano ambiental

Maquina pesada usada para retirar os troncos e galhada

O tapume esconde o corte das árvores, que provavelmente seria motivo de questionamento pelos transeuntes

A placa anunciava uma obra ecológica, mas não dizia que para tanto teria que remover as árvores


ESTRUTURA JÁ EXISTENTE


Não bastasse a sua inadequação, por conta do local em que foi instalada, pela estrutura em si, é importante destacar que em 2012 já foi edificado um Centro de Educação Ambiental em Cianorte, na região do Parque Mandhuy, construído até mesmo de modo mais sustentável.


Centro de Educação Ambiental já existe em Cianorte, mas o local foi transformado em sede para Secretaria de Meio Ambiente. Batalhão da Polícia Ambiental também ocupa o local (Foto: Google Maps)


Bastava ampliar a construção já existente, até porque o local é bastante amplo, e beneficiaria toda a comunidade do entorno, sem mesmo necessidade de contratar segurança particular pois a Polícia Florestal já imprime o respeito necessário (Foto: Google Maps)


Peroba que em vez de ser tratada para tentar sua manutenção foi cortada há alguns anos. Ironicamente, está em frente à sede do Centro de Educação Ambiental antigo, na Avenida Piau´. (Foto: César Kasuo)


As informações aqui mencionadas, todas públicas, são apenas para alertar para a necessidade de o Parque Municipal do Cinturão Verde ser gerenciado através da visão técnica, de um profissional capacitado que olhe para o Parque como um conjunto de uma floresta que nos protege (das erosões, na melhoria climática, como barreira para os ventos, abrigo da fauna, sombreamento, entre outros), mas que precisa de nossa proteção e do respeito às leis, para sua manutenção. O Parque completa hoje 21 anos, esperamos que de presente a nova administração lhe conceda seguir integralmente o Plano de Manejo do Parque, que é seu norteador. Que designe uma equipe técnica para cuidá-lo devidamente. Alguém que gerencie o Cinturão Verde olhando para sua essência e não apenas aparência, com profissionais especializados para tratar suas dores (erosões, assoreamento, lixo, espécies exóticas invasoras, destruição, entre outros) e seus amores, que é todo o rico bioma que o compõe.


DEPOIMENTOS DE CIANORTENSES SOBRE O CINTURÃO VERDE


Enquanto existe um movimento mundial para em defesa da vida da nossa casa comum, nós aqui em Cianorte achamos que a natureza precisa de BALAGANDANS ao redor de perobas... tá bom que um dia a cidade foi capital da moda, daí a fazer de uma árvore uma top model da vaidade humana é manifestação do máximo desrespeito a Gaia! Imaginem o risco que o Parque Cinturão verde está correndo com tamanha desfaçatez desses que deveriam cuidar do meio ambiente! Padre Ivanil


Curiosamente em paralelo ao que fazem dentro e nos entornos do Parque Cinturão Verde, as agressões ocorrem dentro da cidade também: A revitalização da praça 26 de Julho, onde arrancaram praticamente todas as árvores. O mesmo fizeram na praça Francisco Kano, Praça do Japonês. O corte das seringueiras, que pelo visto vão cortar as de frente do cemitério, porque já cortaram duas delas. Desmatar para construir uma biblioteca ecológica? Alegaram terem derrubado a biblioteca do bosque porque as árvores ao redor apresentavam riscos, no entanto desde que a demoliram, nunca se caiu uma árvore naquele local e agora construíram um chafariz para visitação. Mas aquele local não é área de risco tanto que até demoliram a charmosa biblioteca que lá havia? A dita modernização que fizeram na Avenida Paraíba onde quase 100 árvores foram arrancadas para serem colocadas no local palmeiras, que nem árvore são! Destroem um monumento em formato de machado que se localizava no centro da Praça Primo Manfrinato que era uma homenagem da Companhia Melhoramento aos colonizadores, derrubaram alegando ser uma afronta ao meio ambiente, todavia, colocam uma enorme tora de peroba rosa como decoração de fachada da Secretaria Municipal do Meio Ambiente! O que esse povo tem que entender é que: Não é o meio ambiente que tem que se adaptar ao ser humano, mas o ser humano que tem que se adaptar a ele! E aqueles detritos, entulhos, resíduos químicos (afinal há também produtos de pintura que são jogados nas caçambas) são todos destinados àquela espécie de controle de erosão que se localiza atrás do cemitério, perto de uma estação da Sanepar, ou seja , há várias nascentes ali. Há a captação de água da Sanepar e ao mesmo tempo jogam tudo quanto são resíduos na natureza, inclusive sobras de tintas, thiner, água raz, ferragens, etc! Poluindo não somente a superfície, mas o lençol freático.

César Kasuo


Riacho do interior do Parque (Foto: Divulgação)


Parque Cinturão Verde: "por fora bela viola, por dentro pão bolorento", é assim que o Parque foi transformado. Os cidadãos cianortenses com uma visão mercadológica, e em nome do desenvolvimento tecnológico, da industrialização tem destruído esse ecossistema que gera vida. Os prejuízos dessa ação são ocultados, pois estão no seu interior, assoreamento, voçoroca, contaminação das nascentes. Mostra-se só a superficialidade, parece que vivemos no conto de fadas " Alice na cidade das maravilhas".

Professora Kely Cristina R.J. de Souza


Parque Cinturão Verde é uma riqueza para o município e para munícipes. Há exuberância em espécies animais e vegetais além de nos beneficiar como regulador térmico e beleza ao redor da cidade. Inadmissível o que vêm ocorrendo! Entra governo; sai governo e não há equilíbrio e preocupação real com o meio ambiente!

Professora Solange Mezavilla Fontes


Quatis, animais vistos com frequência no entorno do Parque (Foto: PMC)


“Para um habitante de cidade brasileira, todas as árvores de uma floresta são apenas mato, sem distinção entre elas. Os habitantes dos desertos, ao contrário, têm nomes diferentes para se referir à areia. Da mesma forma, os esquimós têm diversos nomes para indicar aquilo que, para nós, é apenas neve. A riqueza de uma cultura se mede pelo número de palavras para definir o meio ao redor: “Qual o seu conceito sobre o Parque Cinturão Verde?”

Professora Ana Floripes Berbert Gentilin



SUGESTÕES À ATUAL ADMINISTRAÇÃO

O texto é da professora Noemi, e todos nós que pensamos uma Cianorte Sustentável, assinamos embaixo.



Abraço simbólico de proteção ao Parque Municipal Cinturão Verde em Cianorte (Foto: Celso Ikedo)


A participação popular em defesa da natureza como patrimônio de todos será indispensável para a sobrevivência do Parque Cinturão verde. O poder público deve ter compromisso com as causas ambientais, visando reduzir os impactos e buscar soluções para os problemas resultantes da falta de planejamento, do aumento da poluição, da falta de consciência ecológica da população e do descumprimento das Leis de proteção.

Os desafios são grandes, mas se o desejo é construir uma Cianorte Sustentável, modelo para o Brasil é preciso encarar os principais problemas ambientais no município, que são:

- A Poluição do ar causada por resíduos industriais que produzem forte mau cheiro; queimadas (de cana-de-açúcar e nos lotes urbanos) e a pulverização aérea com agrotóxicos.

- A Poluição dos rios: principalmente por resíduos industriais (lavanderias, frigoríficos usinas...) e residenciais devido as ligações clandestinas nas redes de galeria pluviais; lixo descartado de maneira incorreta e que acaba chegando aos cursos hídricos.

- A Pressão sobre o Parque Cinturão Verde: Pressão imobiliária; descumprimento das leis ambientais de proteção da Unidade de Conservação; poluição, erosão e invasão de espécies exóticas invasoras em seu interior; falta de compreensão da população sobre a necessidade de existência e proteção do Parque em sua integralidade; falta de um Centro de Triagem de Animais Silvestres; falta de um programa de investimento em pesquisas e educação ambiental.

- O corte indiscriminado de árvores: ocorrido por anos no perímetro urbano, desrespeitando o ciclo natural do desenvolvimento das árvores e dos animais que as habitam; ausência de um plano de arborização, que contemple espécies diversificadas, naturais da região, entre elas frutíferas, que saciem as necessidades da fauna e também dos moradores.

- A necessidade de transparência na gestão da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e da atuação do Conselho de Meio Ambiente.

- O desrespeito às leis de Proteção Animal e necessidade de ampliação de programas de controle de castração de animais abandonados ou que pertencem à pessoas de baixa renda.



Macacos fora da mata, em busca de comida. Eles e outra infinidade de espécies têm na mata sua única moradia que também nos abriga (Foto: Divulgação)

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