Centrão, fiel da balança mais inflacionado do planeta.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


A principal consequência do 7 de setembro foi a geração de um impasse monstruoso, pelo rompimento das relações, e até do diálogo entre os poderes.

Nada que se faça reconstrói a harmonia entre STF e Executivo. Fux teve que ameaçar uma GLO para que a Polícia Militar impedisse uma tragédia maior no dia 6, com invasão da Casa e, além disto, o corporativismo institucional não permite recuo assim como isto é impensável para Bolsonaro.

Resta o caminho eleitoral que permite ao STF tirar Bolsonaro da disputa, sem passar pelo crivo dos demais poderes, mas assumindo uma responsabilidade além do razoável neste momento. Já a via Congressual, onde Bolsonaro perdeu a maioria simples mas não a qualificada, coloca o Centrão como fiel da balança, mais que isto como fiel depositário do mandato presidencial e isto terá um preço absurdo para um país que já sofre com a crise.

Exceto pela improvável intervenção militar, este deve ser o desenho institucional do Brasil no curto prazo. Sim, porque é impossível, nas circunstâncias, pensar em algo mais duradouro.

Quanto as decantadas ações fora das quatro linhas, exigiriam mais que arranjos internos, improváveis mais possíveis, porque a aldeia global, em que nos transformamos a décadas, não permite players isolados no cenário mundial e, por razões ideológicas, batemos a porta na cara de parceiros díspares mas fundamentais, China e EUA, que permitem cravar com segurança que atalhos para o poder concentrado são inviáveis na macro economia.

Resta-nos o impasse administrado pelo Centrão como leitura imediata.

Evolução deste quadro dependem de fatores interdependentes que inibem sua implementação. O Exército não tem união nem disposição para trilhar outro caminho e o STF prefere jogar no velho esquema de pressão e contra pressão, calçado inclusive com trunfos que transcendem ao Jair e se estendem aos filhos.

Péssimo para o Brasil. Castigo para nós brasileiros pagando a conta pelos pecados eleitorais, de maneira ampla e generalizada.

A conta mais cara será a marcha lenta da recuperação econômica cujo acelerador, investimentos externos e confiança no futuro, é superado pelo freio da incompetência política catalisada pela ambição pessoal, de todos as matizes, que, em muito, supera qualquer possibilidade de um projeto nacional de desenvolvimento.

Sem solução para o curto prazo, a Nação precisa pensar no futuro e o parlamentarismo se apresenta como um sistema mais evoluído, com instrumentos que podem ser ajustados à cultura nacional e servir como amortecedor de novas crises além de projetar soluções de continuidade que superem as limitações dos mandatos de líderes medíocres que se seguem pela igualmente medíocre eterna opção pelo menos ruim.

Deus salve o Brasil!