Campanha da Fraternidade: homossexualidade é um pecado

Por João Paulo Dantas - jornalista, especialista em audiovisual e cinema.


A Campanha da Fraternidade de 2021 ainda nem foi lançada e já é alvo de polêmica. Neste ano, o tema da campanha é "Fraternidade e diálogo: compromisso de amor", e o lema "Cristo é a nossa paz. Do que era dividido, fez unidade", (Ef, 2,14a).


Segundo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a Campanha da Fraternidade é uma marca e uma riqueza da Igreja do Brasil, que deve ser cuidada e melhorada ao passar do tempo, por meio do diálogo. Seguindo a temática, a proposta deste ano foi enfática na defesa de grupos LTBTQIA+, provocando a ira (pecado capital) de católicos ultraconservadores.


Em um país extremamente polarizado desde junho de 2013, e o discurso de ódio acentuado desde as eleições de 2018, a campanha propõe o diálogo frente a essa condição que os brasileiros enfrentam. A campanha defende, mais que explicitamente, a defesa de mulheres, negros, LGBTQIA+ e pessoas indígenas, enaltecendo a importância da defesa de políticas de direitos humanos.


Quanto a mulheres e negros, os ultraconservadores não ficaram raivosos. A maior razão do boicote à campanha é o apoio e acolhimento às comunidades LGBTs.







VIOLÊNCIA CONTRA LGBTQIA+


Em 2018, foram registrados 1.685 casos de violência contra este grupo: 420 delas foram assassinadas - destas, 164 eram pessoas trans. O documento afirma ainda que "esses homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis".


NOTA DA CNBB


“A doutrina católica sobre as questões de gênero afirma que ‘gênero é a dimensão transcendente da sexualidade humana, compatível com todos os níveis da pessoa humana, entre os quais o corpo, a mente, o espírito, a alma. O gênero é, portanto, maleável sujeito a influências internas e externas à pessoa humana, mas deve obedecer a ordem natural já predisposta pelo corpo” (Pontifício Conselho para a Família, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas., pág. 673).


RECURSOS SÓ SERÃO APLICADOS EM SITUAÇÕES QUE NÃO AGRIDAM PRINCÍPIOS DA IGREJA CATÓLICA


Essa foi a posição da Igreja Católica, representada no Brasil pela CNBB. Nenhum recurso oriundo da Campanha da Fraternidade de 2021 será destinado a entidades, organizações, entre outros, que defendam grupos marginalizados historicamente.


ORAÇÕES PARA BOBBY - LGBTS QUE SE AFASTAM DE DEUS E DA IGREJA


Fica a recomendação do filme "Orações para Bobby", telefilme americano de 2009, que relata a história real de Bobby Griffith, jovem que se suicidou em 1983 devido ao fanatismo religioso e homofobia de sua mãe.


Segue o discurso da mãe de Bobby em rede nacional, e da importância da humanização das pessoas LGBTs dentro das denominações cristãs:


Homossexualidade é um pecado. Homossexuais estão condenados a passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser normais de novo. Se eles ao menos tentassem e tentassem de novo em caso de falha. Isso foi o que eu disse ao meu filho, Bobby, quando descobri que ele era gay.

Quando ele me disse que era homossexual, meu mundo caiu. Eu fiz tudo que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho pulou de uma ponte e se matou. Eu me arrependo amargamente de minha falta de conhecimento sobre gays e lésbicas. Percebo que tudo o que me ensinaram e disseram era odioso e desumano. Se eu tivesse investigado além do que me disseram, se eu tivesse simplesmente ouvido meu filho quando ele abriu o coração para mim… eu não estaria aqui hoje, com vocês, plenamente arrependida.

Eu acredito que Deus foi presenteado com o espírito gentil e amável do Bobby. Perante Deus, gentileza e amor é tudo. Eu não sabia que, cada vez que eu repetia condenação eterna aos gays… cada vez que eu me referia ao Bobby como doente e pervertido e perigoso às nossas crianças… sua autoestima e seu valor próprio estavam sendo destruídos. E finalmente seu espírito se quebrou além de qualquer conserto. Não era desejo de Deus que o Bobby debruçasse sobre o corrimão de um viaduto e pulasse diretamente no caminho de um caminhão de dezoito rodas que o matou instantaneamente. A morte do Bobby foi resultado direto da ignorância e do medo de seus pais quanto à palavra “gay”.

Ele queria ser escritor. Suas esperanças e seus sonhos não deveriam ser tomados dele, mas se foram. Há crianças como Bobby presentes nas missas e cultos. Sem que vocês saibam, elas estarão ouvindo enquanto vocês ecoam ‘amém’. E isso logo silenciará as preces delas. Suas preces para Deus por entendimento e aceitação e pelo amor de vocês. Mas o seu ódio e medo e ignorância da palavra ‘gay’ silenciarão essas preces. Então… Antes de ecoar ‘Amém’ na sua casa e no lugar de adoração, pensem. Pensem e lembrem-se. Uma criança está ouvindo.”


A BÍBLIA DIZ QUE É PECADO


Trata-se de um longo estudo feito por vários teólogos, e que poderia caber em outro post dentro deste site. A Bíblia tem trechos que supostamente condenam a homossexualidade ou a pessoas trans. Seguem outros trechos bíblicos que, ao pé da letra (assim como com relacionamentos homoafetivos), são condenados pelo livro sagrado dos cristãos:


  1. Cortar o cabelo

  2. Fazer a barba

  3. Tatuagens

  4. Maquiagem

  5. Comer carne de porco

  6. Tortura

  7. Uso de preservativo e anticoncepcionais

  8. Sexo antes do casamento

  9. Ter mais de uma mulher

  10. Adultério

  11. Divórcio

  12. Trabalhar aos sábados


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