AS VARIÁVEIS ELEITORAIS PARA 22.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


Muita gente acha que as eleições de 22 é jogo de cartas marcadas com duelo final entre os ponteiros atuais da pesquisa que também se encontram na ponta ideológica do nosso confuso espectro ideológico. Ledo engano.

O conjunto de variáveis que persistem em dinâmica pendular favorece bons palpites mas inibe qualquer convicção. Vamos tentar uma breve análise dos fatores em aberto;

1) Questão ideológica; cada vez mais latente e com parcela razoável da população com postura definida, na minha opinião, com os conservadores em ligeira vantagem se considerado todo o país e, ainda mais marcante no Sul do país.

2) Afinidade política; o aspecto mais notório a indicar o confronto entre Lula e Jair, apenas eles, com pequena vantagem de Lula, despontam como líderes consolidados no país;

3) Desgaste de imagem; é o fator que pode determinar maiores surpresas no quadro com Lula e Jair com rejeições proibitivas sobre a qual ouso dizer que um só ganha do outro. Uma terceira via, improvável hoje, terá muito mais dificuldades de chegar do que de vencer o segundo turno;

4) Variável econômica; é indiscutível que o desempenho da economia, em ano eleitoral, principalmente nos itens emprego e renda, respondem por, no mínimo, 15% da tendência eleitoral. Se a economia estiver muito acima, ou abaixo da média, tende a ser definidora do placar eleitoral;

5) Grau de dispersão; até cinco candidaturas, com apenas três disputando o título de terceira via, pode torná-la viável mas, em caso de muitas opções eleitorais, a dispersão de votos garante o fla x flu eleitoral com Jair e Lula em campo;

6) Aprovação do governo; é sempre um fator importante, normalmente expresso pelo item variável econômica mas, neste pleito, face ao temperamento explosivo de Bolsonaro, pode cacifá-lo, porque tem público fiel, ou pode derrota-lo porque seu destempero verbal tem catalisado sua rejeição;

7) Pauta eleitoral; ainda não se tem certeza qual a principal preocupação do eleitor nas eleições; se for pandemia, vantagem de Lula e terceira via; se for moralidade, Jair se fortalece mas a tendência é que emprego e renda sejam os principais itens;


Claro, é um resumo pretencioso porque um observador mais exigente elencaria pelo menos mais meia dúzia de itens todavia, é fácil perceber, o nível de incerteza ainda segue muito elevado para justificar qualquer definição.

É só um exercício, e talvez inclua um sentimento pessoal, mas ainda acho que Jair e Lula disputam uma única vaga porque sinto que a quantidade de cidadãos que quer equilíbrio é flagrantemente crescente e, ambos, inspiram mas também assustam o eleitor comum.