Bruno: uma história de vitórias

Atualizado: Jan 9

* Por Ana Floripes - Professora


Imagem: Turma Professor Antônio Graciano Trentin - 2020 - Colégio Estadual Igléa Grollmann - EFM, de Cianorte-PR.


Sou professora há 35 anos. Trabalho no Colégio Estadual Igléa Grollmann –EFM, de Cianorte – PR, na função de Professora de Apoio Educacional Especializado. Formada em Geografia e Especializada em Pedagogia Escolar, Geografia e Meio Ambiente e Educação Especial Visão Integradora – Ensino Especial/Ensino Regular. Recentemente me aposentei no meu padrão estadual de História. Atuei mais de uma década no Núcleo Regional de Educação de Cianorte como Coordenadora da Educação Especial e vários anos também como Coordenadora da Educação Básica.

Dezembro de 2020. Ano que nós, profissionais da educação, tivemos que nos reinventar. Atualmente, nossos jovens estão se lamentando pois não teremos as formaturas tradicionais. Uma ligeira lembrança me levou ao ano letivo de 2017. Era um dia comum em sala de aula. A professora pede aos estudantes para escreverem biografias. Uma delas, por motivos especiais, guardei e dizia:


"Meu nome é Bruno Roberto Targino Pereira, tenho 13 anos, estou no último ano do Ensino Fundamental, sem reprovar nenhuma vez. Estudo no Colégio Estadual Igléa Grollmann - EFM. A minha família é composta por quatro pessoas, sendo: Paulo, meu pai, Juliana, minha mãe, Emily, minha irmã e eu, o prodígio da casa. Moramos em Cianorte desde que nasci. Temos dois animais de estimação, uma gata e uma cachorra. Tenho algumas expectativas para esse ano: 1º) Passar de ano direto. 2º) Não ter notas abaixo da média. 3º) Ficar próximo a parentes e amigos. 4º) Ganhar um celular novo. 5º) Ter amigos que não me abandonem nas horas difíceis. As minhas expectativas para a vida: 1º) Ter uma família na fase adulta. 2º) Ser piloto de avião. 3º) Me casar com alguém que me ame de verdade. 4º) Se piloto não der certo, pretendo conseguir em outra área, um ótimo emprego. 5º) Me aposentar.” Dias após a entrega da atividade, o nosso estudante foi diagnosticado um tumor cerebral. Foram momentos extremamente difíceis e alteraram toda a sua rotina, tanto em na residência, quanto na escola. Ele foi internado em caráter de urgência no Hospital Angelina Caron, em Curitiba. Bruno passou por quatro cirurgias. Ficou internado por 40 dias, desses, 20 dias em coma. A sua mãe permaneceu em Curitiba com ele. A turma a qual estudava, juntamente as demais turmas e profissionais do colégio arrumaram prêmios e rifaram. Conseguiram arrecadar um total de sete mil reais e quinhentos reais. A comunidade a qual pertence também ajudou muito, pois as contas não pararam. Todos os dias aguardávamos notícias do hospital. A situação era extremamente delicada. No dia 23 de novembro de 2017, não me esquecerei da cena, os pais de Bruno estiveram no Colégio e foram à sala de aula, em que seu filho estudava. Eles agradeceram a atitude generosa dos amigos e explicaram a situação do Bruno. Disseram que com o dinheiro arrecadado, a mãe poderia ficar perto do filho. Ao terminarem a fala, um dos estudantes, em silêncio, levantou-se e abraçou os pais, automaticamente, os demais também seguiram o exemplo. Todos se emocionaram! Em síntese, ele sobreviveu, mas ficou com sequelas, perdeu a visão. Bruno é um exemplo de vida para todos nós. Ontem fui informada de que houve mudança de plano, não será um piloto, mas sim um fisioterapeuta. Fez o vestibular e no próximo ano frequentará o Curso de Fisioterapia, na UNIPAR, ganhou bolsa de estudo. Sua mãe, permanece firme a seu lado, possivelmente será contratada para acompanhá-lo. Ela é pedagoga e o Bruno tem o direito a esse acompanhamento. Mas, qual o motivo de estar contando essa história? É porque o nome da Coluna é “Mulheres Super Poderosas”, então gostaria de homenagear a Juliana Targino Costa Pereira, mãe do Bruno e também a ele,pois realmente, é um garoto prodígio. Embora, naquele momento em que escreveu, como o conhecemos, tenha brincado, mas esse realmente é o termo correto que utilizamos, quando pensamos na sua trajetória, até agora. Encerro esse texto com a fala do Bruno: Antes minha mãe trabalhava e estudava. A gente mal tinha tempo para estar junto. Daí pedi a Deus para ajudar a me aproximar dela. Ele nos aproximou de tal maneira que agora passamos a maioria do tempo juntos. Abaixo de Deus, ela é a maior guerreira. Foi o esforço de minha mãe que salvou minha vida.”


Estudante: Mãe de Bruno:

Bruno Roberto Targino Juliana Targino


Sala de Aula - Professora Débora Grygutsch Hellwig, de Filosofia.




Família na igreja


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