'Anjo das árvores': solitariamente, cianortense usa carro próprio para regar mudas nas vias públicas

Aida Franco de Lima – Professora. Dr.ª e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), Jornalista e Especialista em Educação Patrimonial (UEPG - PR); Guia Especializada em Atrativos Turísticos Naturais (SENAC - EMBRATUR);Técnica em Vestuário (CEEP - PR); escritora Guardador de Palavras da Gabi.

Uns vêm beleza nas flores ao chão, outros incômodo. Mas nos dias de sol intenso, todos procuram a sombra das árvores. E quem se preocupa em regá-las quando mais precisam de água (Foto: Aida Franco de Lima)


A instabilidade climática está batendo à nossa porta, mesmo que muita gente negue. Pergunte para um tio mais velho, se na época dele era comum em um mês você sentir que ia morrer de frio e na semana seguinte torrar de calor. Não era. Você já deve ter notado, quando está muito calor, o motorista que está esperando o sinal abrir, reza para ficar embaixo de uma árvore. Tem até uns folgados, que mesmo havendo espaço à frente, muitas vezes seguram o trânsito porque querem aproveitar a fresca de uma sombra generosa.

Em Cianorte, temos inúmeros clarões nas vias urbanas, onde havia árvores, restaram tocos. Ao longo de anos as motosserras foram muito bem alimentadas. E o que nunca houve em Cianorte é um trabalho para plantar e cuidar das mudas até que elas resistam às intempéries da natureza e intercorrências humanas. Nas datas comemorativas até são plantadas algumas mudas, divulgadas as imagens e elas que lutem! Prestem atenção, por exemplo, nas árvores do Centro Novo, na Esplanada, só a título de exemplo. De que adianta plantar, apenas para cumprir tabela e depois não receberem o devido cuidado? Mas uma figura solitária tem feito a diferença nesse cenário, tem sido a gota no oceano, quase que literalmente.

Fabrício adotou essa árvore em frente a um condomínio, na Avenida Pará, onde moram centenas de pessoas. Se apenas uma delas assumisse a tarefa, ele poderia se dedicar a outra que está morrendo de sede (Foto: Fabrício Volpato)


Há quem adote gatos, cachorros e outros pets. Mas o cianortense Fabrício Volpato resolveu adotar árvores. Sim, ele realiza um trabalho heróico de regar algumas mudas de árvores que, sem seu cuidado, morreriam por falta de água. Fabrício é formado em agronomia e arquitetura e tem paixão por paisagismo e compreende perfeitamente a importância da arborização urbana. Uma ou duas vezes na semana, há mais de dois anos, ele carrega baldes de água da torneira de sua casa, até algumas árvores que tiveram a sorte de estar em seu caminho. No começo usava um carro de passeio para realizar a missão que delegou a si mesmo, mas já planejava adquirir um caminhoneta para auxiliar no seu trabalho profissional e para facilitar o transporte das gotas de esperança para as árvores premiadas.


Antes de usar outro carro para o serviço voluntário de regar algumas mudas, o lugar do passageiro no carro de passeio era ocupado por um balde de água (Foto: Fabrício Volpato)