A primavera está chegando, mas a 'estação da vida' pede socorro



Na área prevista para ser desmatada para ampliar o trecho do Rio Fantasminha, denominada Makio Sato, as árvores são refúgio de diversas espécies (Foto: Marcio Nolasco)



Texto de Priscilla Esclarski - Bióloga


Na primavera observamos as plantas saindo de um estado de dormência e emitindo botões florais, é hora de reproduzir e gerar frutos e sementes. Para os animais não é diferente! Nesta época há condições favoráveis para gerar filhotes, temos muito alimento, temperaturas medianas, muitos locais para abrigo. Para as aves residentes é hora de encontrar um parceiro e construir o ninho, para as migrantes, é hora de voltar pra casa.


Para as aves esta relação com a vegetação é muito mais estreita, a maioria depende da vegetação para alimentação, abrigo e construção de seus ninhos. Aves florestais, dependem de áreas de vegetação nativa para viver, aves generalistas buscam recursos alimentares nestas áreas, aves migratórias usam esses pontos verdes como 'pitstop' de suas viagens.

Qualquer alteração na mata Atlântica tem sido muito preocupante, visto que o bioma foi reduzido a pequenos fragmentos pressionados por todos os lados pela expansão urbana e agropecuária. Estes fragmentos são os últimos refúgios para as aves nativas e são importantes pontos de parada para aves migratórias.


Muitas aves ainda não foram extintas pela dinâmica de uso dessas áreas, porém o manejo e uso do solo do entorno deve ser pensado levando em consideração essa alta dependência dos organismos da vegetação especialmente nesta estação tão importante para a conservação das espécies.