A perda da vergonha e o fã-clube bolsonarista

Por João Paulo Dantas - jornalista, especialista em audiovisual e cinema.


Como, após o impeachment de Dilma, montamos outro fã-clube?


Como usualmente, seguimos com mais perguntas do que respostas em nossos artigos. O Brasil já vacinou sua primeira cidadã em território nacional, e os louros políticos foram para o governador de São Paulo, João Dória, em sua eterna briga com o Governo Federal, tudo isso em meio a mais de 210 mil mortes causadas pelo coronavírus.


Após os protestos de junho de 2013, o Brasil iniciou sua nova polarização, muito marcada pelo antipetismo, que não impediu a reeleição de Dilma Rousseff, mas que a levou ao impeachment em 2016. Como nos mostrou o excelente documentário de Petra Costa, "Democracia em Vertigem" (indicado ao Oscar, inclusive), vimos o nascimento de uma onda conservadora, preconceituosa e ignorante, sob o manto de Jair Messias Bolsonaro.





FÃ-CLUBES


Já não é muito saudável a ideia de fã-clubes para cantores, atores, artistas etc, que dirá para um político, mas eis o que vemos. Após o endeusamento do ex-presidente Lula, que em 30 anos de PT conseguiu uma enorme base de militantes, que posteriormente se transformariam em fanáticos. Embora a década de 2010 tenha sido realmente brilhante para o Brasil em termos econômicos e sociais, a corrupção se mostrou evidente e assustadora.


Eis que nasce Jair Messias Bolsonaro como Presidente da República. Lembram-se dos protestos pró impeachment de Dilma Rousseff? "Primeiro tiramos a Dilma, depois tiramos os outros. Não terão sossego!". Muito que bem. Nada disso aconteceu. Vimos os brasileiros dormirem novamente em berço esplêndido, e pior, comemorar cada absurdo do novo presidente. Afinal, esses brasileiros são movidos pelas ideias bolsonaristas ou movidas apenas pelo antipetismo? Por que, no final das contas, trocamos 6 por meia dúzia nas eleições de 2018?


PERDEMOS A VERGONHA? A (DES)INFORMAÇÃO NA PALMA DA MÃO


Em pleno século 21, imaginávamos carros voadores e a mais alta tecnologia em ebulição. Estamos vendo exatamente o contrário, quando notamos que andamos para trás. No momento em que temos a tecnologia e a informação na palma de nossas mãos, é a desinformação que toma conta.


Não se trata aqui de sermos um país pobre e com educação pública de baixa qualidade. Estamos tratando aqui de pessoas letradas, com curso superior, ostentando seus mestrados e doutorados mundo afora, que espalham mensagens falsas pelas redes sociais sem pestanejar, sem checar a informação. Em que momento passamos a tratar tudo isso com normalidade?


Afinal, que tempos estamos vivendo? Qual a dificuldade de distinguir a verdade da mentira? O certo do errado? O absurdo do elogiável? Chegaremos a um momento onde as futuras gerações zombarão da gente? O buraco é mais fundo?


Deixar de questionar quem quer que seja, Lula ou Bolsonaro, não te torna de direita ou de esquerda, apenas nos tornam a vergonha de um futuro distante.



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