A encruzilhada do 7 de Setembro.

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


O Brasil contemporâneo não será o mesmo depois deste 7 de setembro.

Pelo menos 10 milhões de brasileiros estarão nas ruas em ato cívico e patriótico. Desde as diretas, poderá ser a mais consistente manifestação de rua, superando inclusive a presença de público nas ruas a favor do impeachment de Dilma, sendo em termos pessoais a mais expressiva porque, ao contrário das anteriores, não defende apenas uma tese mas um nome; Jair Bolsonaro.

Jair é o ponto de convergência das manifestações e, a partir disto, a pauta segue imprecisa, milhões irão às ruas por algo mais que o apoio ao presidente embora a pauta seja difusa nos demais pontos. Impeachment de ministros do STF, fechamento do Supremo, alteração do jogo de forças entre os poderes, exigência de voto impresso, ou auditável, e alguns outros itens se somam, ou se confundem, e a prevalência de alguns pode ditar nosso futuro político.

Manifestações pacíficas, com esta contundência, são um ativo político quase incomparável e, para muito além de uma prova de força, expressa um sentimento nacional conservador e reativo ao jogo político que, pela dança de poderes, se torna confuso ao cidadão comum. A sensação, reforçada pelo discurso de Jair, é que, eleito pelas urnas, caberia ao presidente ditar rumos ao país fato que não se consuma, desta forma, já que, na democracia, o jogo de pressões e a ininterrupta negociação entre os poderes e as forças políticas é que são determinantes embora, é bom frisar, é um jogo em que a posse de bola é muito mais do executivo. Em minha opinião, mais que o STF, esta é a pauta encoberta do governo.

Mantidas as regras do jogo, Jair acorda mais forte no dia 8, todavia, baderna ou excessos nas ruas lhe gerarão um passivo imenso que pode resultar em sua ausência nas urnas de 22, fato que pode aumentar a instabilidade e a tensão já visível no campo político e militar. Eleitoralmente, Bolsonaro cresce, sem dúvida, em qualquer circunstância porque, até mais que aumentar seu cacife, fecha seu time, pondo fim a escalada negativa de aprovação de seu governo e, também entre suas metas, mantém o debate político em questões políticas, secundando pautas explosivas como inflação, desemprego, saúde e adjacências.

Em termos estratégicos, Bolsonaro joga bem porque consegue sempre impor as pautas que lhe agradam e impede que seus adversários consigam jogar luz sobre temas complexos que podem lhes ser mais favoráveis.

O risco é o jogo sair das quatro linhas. Neste caso, o presidente leva cartão amarelo e, sem risco de expulsão pelo impeachment, pode ser suspenso do jogo mais importante do próximo ano porque, de olho no VAR jurídico, seus adversários de toga são também juízes do pleito eleitoral.

Atrevendo-me em opiniões pessoais, afirmo; bom senso pode ser fundamental para que tudo seja decidido no campo eleitoral, jogado nas urnas de 22.