“A criança é normal, doutor(a)?”

Por Ana Floripes - Professora



Foto Reprodução: Wikimedia Commons



A frase mais ouvida na sala de parto: “A criança é normal, doutor(a)?”


Se fôssemos avaliar a complexidade contida na frase: “A criança é normal, doutor(a)?”, ficaríamos horas e horas escrevendo, porque cada pessoa que faz a pergunta é resultado de diversas formações, mas, a social, na maioria das vezes, é repleta de deficiências. Naquele momento, há um ser humano idealizado na mente daqueles que o esperam. Quando, para muitos, não é atendido o quesito ideal, a tristeza toma conta. A partir dali, haverá uma longa estrada a ser enfrentada. Mas, e o motivo da tristeza? Às vezes ela é tratada em consultórios de psiquiatria.


No fundo mesmo, esse sentimento, nos remete ao medo da exclusão, do olhar do outro, do julgamento, do estigma social e, sobretudo, a impotência por entendermos que o esforço terá que ser dobrado para enfrentarmos o que virá pela frente. A tristeza, em muitos casos, toma conta quando algumas “sentenças" são dadas dentro do próprio hospital, por meio de diagnósticos. Esses, recheados de limitações culturais. Ou seja, neles são apresentados um mundo não acessível para TODOS. Enfim, em nossa sociedade sobram preconceito e indiferença. Exemplificando, é mais fácil dizer a uma criança que faz uso de cadeira de rodas, que o mundo não se adequou a ela, do que construir um espaço para que ela e os demais o utilizem. Todavia, esse tipo de visão costuma se modificar quando passamos pela experiência. Ademais, tem uma outra situação a ser refletida, como antes, não havíamos feito nada para melhorarmos o espaço para as demais pessoas, poderemos ter a impressão de que iniciaremos uma tarefa tardiamente.


Assim, acontece também quando no decorrer de nossa existência, perdemos: visão, audição, movimentos, cognição, saúde mental, etc. Nesses instantes, entendemos o quanto nós (famílias) temos que lutar para termos o direito de desfrutar de nossos DIREITOS. Eles estão no papel, mas muitos deles, inacessíveis, por diversos motivos.


Ah! Outra frase comum: “O mundo não está preparado para entender a DIVERSIDADE." Quem são as pessoas desapropriadas de suas identidades? Será que foram teimosas ao nascer? Talvez tenham nascido em mundos errados? Por que elas têm que atender ao padrão idealizado por nossa sociedade “perfeita”? E o que o preconceito proveniente da falta de empatia, conhecimento e amor tem a ver com isso? Nesse caso, é mais fácil discutirmos o direito à vida daqueles que ainda não nasceram do que dos demais que estão em nosso meio há muitos e muitos anos. Tudo se resume em “vida” ou “morte”. Ação ou inércia.


Por fim, resumindo: “Somos culpados de muitos erros e muitas falhas, mas nosso pior crime é abandonar as crianças, desprezando a fonte da vida. Muitas das coisas que precisamos podem esperar. A criança não pode. É exatamente agora que seus ossos estão se formando, seu sangue é produzido, e seus sentidos estão se desenvolvendo. Para ela não podemos responder "Amanhã". Gabriela Mistral

#eulutoporummundomelhor

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