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A campanha eleitoral mais medíocre da história!

Por Walber Guimarães Junior, engenheiro e diretor da CIA FM.


Lógico que reconheço e afirmo com constância que existem razões de sobra para escolher Bolsonaro ou Lula mas sei também que a principal razão é a rejeição ao outro que, nas duas direções, respondem por quase metade das definições de voto.


A nossa política desceu muito mais degraus do que se podia imaginar. Quem já pode escolher entre Covas, Afif, Aureliano, Ulisses e tantos outros, precisa optar por um adorador de ditaduras e tortura e outro descondenado com centenas de escândalos nas costas.


Sei que é difícil listar a principal limitação dos postulantes que lideram a disputa mas ouso tentar.


Imperdoável em Bolsonaro a inércia, ditada pelo radicalismo, em adiar por 45 dias a aquisição de vacinas, no auge da pandemia, que resultou em milhares de mortes desnecessárias. Não foi genocídio mas foi irresponsabilidade gritante e imperdoável. Listo também a aprovação, e até idolatria, pela tortura como instrumento de controle político, além da sempre manifesta aprovação da ditadura. Se não bastasse, a tentativa, sempre presente, de abreviar o processo democrático e convocar o povo para encurtar o caminho eleitoral, a priorização da pauta ideológica em detrimento de avanços em vários setores no governo, e não foram poucos, mostra que a política, e o poder, se sobrepõe ao interesse público exatamente como os anteriores.


Lula está solto e com direitos políticos estabelecidos mas isto não o torna inocente. As penas foram anuladas por erro processual, açodamento de Moro e companhia, mas a condenação por voto de 15 juízes idôneos atesta que a moralidade esteve ausente em sua gestão. Seguem sem explicações questões pessoais (palestras e patrimônio), morais (relação com empreiteiras), políticas (empresas e ministérios de “porteira fechada”) além de administrativas (recolher recursos a 11% e repassar para países amigos com carência e juros de 5%).


Claro, exerci a capacidade de síntese para que coubessem nestes textos os questionamentos que ambos devem à nação e, pior, não participaram de debates ou mesmo entrevistas livres. Teremos que escolher, ou não, sem que respostas fundamentais sejam apresentadas. Muito mais grave ainda é a ausência de planos consistentes. Prioridade para educação e todo esforço para recuperar renda e empregos são ideias que qualquer brasileiro, com ensino fundamental, poderia listar, mas quais os caminhos a seguir são respostas que apenas os demais, dois deles por enquanto, se atrevem em tentar responder.

O foco é nas urnas, e a possibilidade de fraude, seguindo a rotina ditada pelo teacher Trump, em sua alucinada aventura americana, criando um novo tipo de eleições onde um único resultado é viável. Pouco importa quem é mais louco ou quem é mais ladrão, inclusive porque estas questões qualquer um pode responder.


Importa realmente que as eleições para o Congresso produzam uma resposta satisfatória aos nossos anseios. Não basta renovar mas adotar filtros qualitativos que preservem a centena de bons parlamentares que já dispomos e sejam eleitos outros para além da peneira temática. Não basta ser evangélico ou da área de segurança para ter um bom mandato, registrando que entre esses também existem ótimos nomes. Friso que as eleições de 18 somaram mais de 50% de votos para candidatos, eleitos ou não, com perfil “centrão” (pra não deixar dúvidas; aqueles que exercem o mandato para cuidarem de suas famílias e empresas, nesta ordem, e para cumprir ordens do chefe do executivo sem discuti-las).


Quatro anos gritando nos botecos e nas redes sociais e dez segundos nas urnas votando na mediocridade por indicação de um “amigo”. E a culpa é dos outros?


Lamento muito. Participo da política desde os 14 anos por circunstâncias familiares e por vocação, não vou desistir como não desisto do meu país, mas, encerro concluindo com tristeza, que o pleito será o mais medíocre da história.

Espero, com sinceridade, que Bolsonaro e Lula sejam realmente o fundo do poço.


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